terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Saramago.



não posso acreditar que esperei vinte anos pra ler Saramago.
não tenho o dom das palavras e, pra ser sincera, nem a prática necessária para aperfeiçoa-lo, se o tivesse.
admito sem humildade, no entanto, que tenho a capacidade de admirar quem o tem e, nesse apecto, para mim Saramago tornou-se um símbolo. seu humor irónico, metafórico, disfarçado, os comentários e reflexões ao cotidianos espalhados pelo texto, são pérolas que me dão prazer, mesmo quando discordo dele (na presunção de que possa eu julgar ou discordar de qualquer coisa que Saramago tenha escrito). E isso tudo após a leitura de apenas dois livros: Caim, emprestado, e As Intermitências da morte, comprado.
anseio por ler mais dele.

As Intermitências da morte (assim mesmo, com letra minúscula)... foi o último que li e separei alguns trechos que me tocaram, me falaram ou me divertiram de alguma forma e que ainda assim julguei que não ficariam descontextualizados nem estragariam o prazer de uma primeira leitura que fosse previamente revelada.


aqui estão, espero que gostem:

"Momentos de fraqueza na vida qualquer um os poderá ter, e, se hoje passamos sem eles, tenhamo-los por certo amanhã"

"... as palavras são rótulos que se pegam às cousas, não são as cousas, nunca saberás como são as cousas, nem sequer os nomes que são na realidade os seus, porque os nomes que lhes destes não são mais do que isso, os nomes que lhes destes..."

"...ele (o rebanho humano) se move e se agita em todas as direcções sem perceber que todas elas vão dar ao mesmo destino, que um passo atrás aproximará tanto da morte como um passo em frente, que tudo é igual a tudo porque tudo terá um único fim, esse em que uma parte de ti sempre terá de pensar e que é a marca escura da tua irremediável humanidade."

"... a vida é uma orquestra que sempre está tocando, afinada, desafinada, um paquete titanicque sempre se afunda e sempre volta à superfície..."

"... o que à morte impressionva era ter-lhe parecido ouvir naqueles cinquenta e oito segundos de música (Chopin, opus vinte e cinco, número nove, em sol bemol maior) uma tranposição rítmica e melódica de toda e qualquer vida humana, corrente ou extraordinária, pela sua trágica brevidade, pela sua intensidade desesperada, e também por causa daquele acorde final que era como um ponto de suspensão deixado no ar, no vago, em qualquer parte,como se, irremediavelmente, alguma cousa ainda tivesse ficado por dizer."

sábado, 11 de dezembro de 2010



oi!

hoje, como alguns de vcs sabem, é aniversário de uma d'Elas, a queridíssima e talentosíssima e distantíssima e muitos outros íssimas M.Milza. Na ausência da capacidade da aniversariante de transcedentalmentes transpor sentimentos e idéias que ululam ao nosso redor em palavra escrita, peço licença para utilizar as palavras de um dos talentos admirados por Ela,ligeiramente alteradas pela ocasião,como homenagem

Metade (Oswaldo Montenegro) + alterações minhas...

Que a força do medo que tens
não te impeça de ver o que anseias
que a morte de tudo em que acreditas
não te tape os ouvidos e a boca
porque metade de ti é o que tu gritas
mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouves ao longe
seja linda ainda que tristeza
que o homem que amas seja pra sempre amado
mesmo que distante
porque metade de ti é partida
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que tu falas
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a uma mulher inundada de sentimentos
porque metade de ti é o que ouves
mas a outra metade é o que calas.

Que essa tua vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que mereces
e que essa tensão que te corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de ti é o que pensas
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio contigo mesma se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em teu rosto num doce sorriso
que tu te lembras ter dado na infância
porque metade de ti é a lembrança do que fostes e
a outra metade não sabes.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra te fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio te fale cada vez mais
porque metade de ti é abrigo
mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de ti é platéia
e a outra metade é canção (poesia, prosa, desnho...).

E que a tua loucura seja perdoada
porque metade de ti é amor
e a outra metade também.


Mi... parabéns, saudades d'Ela.

comentem! parabenizem!
M.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

de volta, nos moldes da Nolasco [atequasepertoblogspot], revolta: o que te faz viver de novo, re-voltar.

Estamos de férias,e já sinto falta.



o mar, não se sabe mar,
e por estar cheio, de si, diz-se vazio, ou não se percebe.
você tão cheia de brilho,de vida. você tão cheia de pontos,
você se senta, e remoe de tanta falta. Sempre sem chorar.
e não se consegue decidir a existêcia, ou agarrar o tempo entre dedos.
é que existe muito em você.
é que existe uma alma, uns dias, e risos nessa tua tristeza.
que não é bem tristeza,irmã.

é você, somente.
perdida ai dentro.

mas a beleza é mesmo esse não encontro.
ao som de blues, essa idéia de vitórias as vezes atormenta.
as vezes tormenta.
mas há de ser Mar, até o fim, aquilo que chamamos de fim, pois não creio nisso.
a tua grandeza é mesmo esse mistério.
minha querida,
minha queridíssima menina.
de tanta bondade e crueza,
você ainda não disfarça o teu olhar.
é.
no entanto, somente ser não te contem.

e eu somente quero a brisa marítima.junto ao pôr-de-todos-os-sóis.



e não vou falar de amor,
sim de continuidade,
e admiração.

logo nos vemos.



estou voltando para a casa, a outra casa. Ao som de Nina Simone, Backlash Blues.
M.Milza

sábado, 27 de novembro de 2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sartre e Eu

Eu sempre fui meio indecisa. Odeio ter que decidir. Mas a vida é feita de escolhas. é o fardo da liberdade. Todas erradas porque sempre que escolhemos abandonamos milhares de outros caminhos; mesmo quando optamos por não decidir... é uma escolha. e ao mesmo tempo, e pelo mesmo motivo, todas elas certas. A angústia dos que se sabem não determinados. Dos que se responsabilizam pelas opções que fazem. Nada de novo... Sartre já disse tudo isso muito melhor do que eu jamais poderia dizer.

Acontece que essa necessidade, essa obrigação de escolher sempre me angustiou: que roupa você quer usar? que sapato? que sorvete? que livro? (é sempre dolorido ter que escolher um e abandonar todas as infinitas possibilidades)Quem é o seu melhor amigo? O que você quer ser quando crescer? Cresci! O que você quer ser? Agora. E ai... continuar no curso mesmo sem ser apaixonado por aquilo ou largar tudo mesmo sem ser, ou saber pelo que se é, apaixonado? Sair ou ficar em casa? Esse ou aquele? Você é a favor do aborto? da Pena de Morte? Sim ou Não? Inveja Boa ou Renda? Ir pra fora agora ou depois? Viver em sonho ou cair na real?Trabalhar ou se focar só nos estudos?Um livro cult ou um reader's digest? Postar ou fazer aquele trabalho que já devia estar feito? Os outros ou você? Os outros ou você? (ia colocar "Ser ou não ser?"... clichê demais?)

São escolhas pequenas, que nada parecem mudar, e escolhas enormes que mudam tudo.

E aí me lembro das eleições (eu sei que estou atrasada no assunto). Seja um cidadão consciente, faça o seu papel, é seu direito/dever, vote! ESCOLHA! é o meu martírio. uma escolha diluída é claro! a responsabilidade foi diluída entre milhões de pessoas. Só que é tão difícil... especialmente quando se lê "A Revolução dos Bichos" e naquela cena final em que não se sabe quem é homem quem é porco, quem é socialista quem é capitalista, quem é Dilma quem é Serra.
Eu chego à conclusão pessoal de que "é tudo farinha do mesmo saco". não acredito mais em nada nem em ninguém porque como diz nosso amigo Nascimento " o Sistema é Foda". Invejo aqueles que creem (agora sem acento) cegamente. De fato, a ignorância é uma benção: é muito mais fácil escolher assim. E na hora de decidir, na frente daquela maquininha que faz aquele barulhinho irritante, fico em dúvida:voto em quem não gosto pra tentar evitar que quem Odeio ganhe ou voto nulo e não manifesto todo meu ódio? Decidi no último minuto. Não Conto.

Me angustio porque sempre quero uma resposta,ou melhor, a Resposta.
O problema é que a vida não é CSI nem caso de Holmes ou Poirot. Ninguém revela, no final, com clima de suspense, a Verdade. Ninguem diz com todo o conhecimento de tal verdade se foi ou não "a escolha certa". Ninguém mostra o panorama completo com todos os detalhes.

A dúvida sempre permance...


M.





P.S.: RIRcard comprado. Rock in Rio 2011 EU VOU. nem hesitei em fazer essa escolha =]

domingo, 7 de novembro de 2010

Esperando os ponteiros

"Esperar dói.
Esquecer dói.
Mas não saber se deve esperar ou esquecer é a pior das dores."

E pra colocar um pouquinho de humor no final da noite de domingo, duas tirinhas:





L.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O que é a felicidade?




...
primeira frase ao acordar.

postando algumas esculturas de uns artistas que admiro.
na sequencia San Jinks,Evan Penny e Ron Mueck...
fecham-se as cortinas: terça feira de feriado, nascer de sol gelado e faculdade.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Descendo a Serra

Descendo a serra de Ubatuba e aquele cheiro de mato molhado... Cheiro de infância, cheiro de tamo chegando, de tomara que não chova dessa vez, de será que a gente vai na praia do Léo?, de pastel de camarão, de porção de peixe, de sanduíche de pasta de atum, de empinar pipa e cair num buraco/armadilha que uns japoneses fizeram e segurar o choro pra não passar vergonha, de sal no corpo e sabonete com areia, de tatuagem de hena (é assim que escreve?),
de Rider rosa, do riachinho que passava atras da casa do Vô e que agora é de um estranho, de uns caranguejos enormes azuis que tinha lá e de casa fechada quando a gente chegava, de café com leite na caneca de plástico, de medo quando a gente se perde na praia cheia, de protetor solar, de lagrima quando ele caia no olho, de repelente de insetos, do sorvete de coco do Rocha, de frango crocante e suco de laranja do Refúgio da Louca, do aquário e das tartarugas gigantes do Projeto Tamar, de brincar o dia inteiro com os primos e, de noite, apagar no colo do papai, da mamãe, do vovô ou da vovó. Não dá pra matar a saudade de tudo isso, mas e dai? To indo pra Ubatuba... Tomara que não chova dessa vez.


Bjo
M.


Dia 09/10/10


Adivinha? Choveu...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Tem duas folhas na minha frente; uma em branco que tô olhando já há algum tempo querendo colocar alguma coisa, alguma frase(...) que pudesse me aliviar um pouco, e outra com a matéria da prova de amanhã. Me disseram que é muito fácil "escrever", que é só deixar no papel a primeira coisa que vier à cabeça e que não precisa ser bonito. Não consegui. Devo ter algum bloqueio, sei lá, ou talvez seja falta de leitura mesmo (aí cai naquela velha história, aquela frustração -em comum- SANÁVEL, mas que, mesmo incomodando, não mudo). Também não consegui fazer útil a segunda folha, da matéria, que é onde minha cabeça deveria estar agora. Na verdade minha cabeça deveria estar no travesseiro, porque já é tarde. Tá. Que cada gota da chuva preencha um pouco o vazio, a distância.. e a dor. Mas não deixa ir embora o que não é pra ir, por favor. Não deixa ir embora o que eu não pedir.

L.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Lost and Found

"Sometimes people can go missing right before our very eyes. Sometimes people discover you, even though they've been looking at you te entire time. Sometimes, we lose sight of ourselves when we're not paying enough attention.

We all get lost in a while, sometimes by choice, sometimes due to forces beyond our control. When we learn what it is our soul needs to learn, the path presents itself. Sometimes we see the way out but wander farther and deeper despite ourselves; the fear, the anger, or the sadness preventing us from returning. Sometimes we prefer to be lost and wandering;sometimes it's easier. Sometimes we find our own way out. But, regardless, always, we are found."

By Cecilia Ahern in the novel "There's no place like Here"


M.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Monólogo

Posso ouvir... Sei que ela chega logo...
Chegou!
Um som tenebre canta a Morte.
Por que me chamas, Maldita Senhora,
para me juntar a tão triste dança?
Mas não te preocupes, hoje tens sorte
não lutarei a minha chegada hora
Que o peso dos meus olhos já me cansa.
Olhos de vermelho, olhos que lhe clamam:
"Me leva dessa vida de monólogo!"
E, não mais que de repente,
o gosto de sangue cessa.


M.

Adaptado com as melhores partes da poesia original, bem ruinzinha, escrita há alguns anos. Hoje percebo que não é uma boa ideia estudar a segunda geração do romantismo com 16 anos.
lembrete:

E você nasceu pra ser só.
Tentando e tentando
Você precisa de uma nova forma de amar.
Transformar toda a tua calma num redemoinho,
De garganta presa,
Teus dedos mal se mexem.
E eu sou aquele monstro que todo mundo repetiu.
Obrigada por ele,
E você já não o tem mais.
Obrigada por esse coração que ainda dói.
E mais e mais.
Que ainda dói.
Quando eu respiro.
Mas eu não consigo ser diferente.
Calar diferente.
Eu também queria entender,
Se consiste somente em fazer o certo.
E o cerco mais forte,
Pressiona mais meu peito,
Mais forte.
Essa escuridão somente,
Não tenho meu pulso firme,
Meu cariño, meu cariño.
Eu não sei escrever poesia.
Eu não quero escrever poesia.
Daria os meus risos e minhas tardes
Por um modo de te fazer feliz.
Mas eu só posso ser isso.
Dormir encolhida até passar.
essa história passar.

Prendo o maxilar.
Merda de texto.
Merda de semana.


M. Milza.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Três tragos.
E um nó na garganta.
O pano da rede e o suor. Você não precisa de mais ninguém, a voz repetia.
Deus é um delírio.
Alice seguia o repetido curso todos os dias, a casa: o caminho certo. Um sorriso cá. E se percebeu fumando as pontas do cigarro da empregada.
Três tragos, somente três tragos. Que a história é curta.
A inocência nunca abandonará as meninas. Nenhuma delas. Ainda que felinas, ainda que ardentes.
A cidade, sempre acesa, o silencio permite que a voz lhe tome a consciência.
Era uma outra pessoa. Que lhe ordenava arrastar os móveis, e se incomodar com os sapatos na sala.
Todos os amores lhe foram cegos, intensos, e findos.
E a noite, maravilhada com o movimento da grama, ela vai perambulando com seus passinhos que parecem ser ela por inteiro, pelas calçadas.
O mundo deveria ser maior. E o sonho, os sonhos... O que era ela além de sonhos e uma blusa encardida?
O trabalho, o cinza engordurado dos becos, as relações entulhadas nos cantos. Isso.
Arrasta os móveis. Cala essa boca confusa. Ia pensado.
As tuas frases não se completam, os teus dias não se completam.
E logo mais a morte. À Achava engraçada e amarelada. Divertida de dar gosto. Ria do insensato.
Ria da tristeza.
E a ausência lhe faria fumar todos os cigarros do mundo.
Divertir-se e historiar-se, era assim que conseguia sentir-se diferente. Escrevendo-se pelos muros, e estando em todos os cantos.
Não há ninguém a nos assistir a vida, ou que nos assista com olhos tão ferventes como os nossos.
Ver-se de dentro. Ver-se por dentro. E imaginar o que as pequenas ações vão criando, por fora.
Todo olhar, e expectativa, todas as relações sociais estabelecidas em cima da questão do outro. Olhando para fora, imaginando como nos vêem. Cada persona que se cria. Das máscaras que se troca com o tempo.
Dispenso. Olhando o céu nublado pela ponta da janela.
Dispenso.
E parecia amargurada.
Ela tinha uma amiga, e ela a entendia. Sobre esse assunto isso basta.
E algumas centenas dela mesma, que iam guiando no escuro a alma pelo corpo afora.
Uma pessoa boa e ruim, extremamente ruim.
Outro alguém, quem sabe hoje embaixo de uma mangueira, brincando de ser pó.
Pois era das brincadeiras que gostava.
Sobreviver às manhas. Na programação das tvs. E observar o sol.
O calor das cidades é insuportável! Os anúncios, o modo imbecil como as pessoas correm... Os animais mortos.
De todo este cimento, só se salvam as luzes. Pensou, já do outro lado da rua, comprando um sei lá o que comprável. Alice de fato adorava luzes.
E nesse dia, o mais comum dos dias cor de estanho, se apaixonou.
Foi de maneira rápida, um olhar que lhe entrara como lagrimas pelos olhos, esfriando a garganta, esquentando o peito.
Você sonha demais! E a realidade foi tornando as pernas rápidas, como a dos imbecis.
Amava ler, mas nunca escrevera um único bilhete. Ia transbordar, ia derramar-se em páginas e mais páginas, ferozes e sem propósito, e daí a idéia do medo de se sentir vazia.
Somos inconstantes -dizia e observava os olhos que a perturbavam- nocivos e inseguros. Há somente essa busca incessante, o desconforto de existir, somente.
Eu minto, eu fujo, eu não sou uma boa pessoa, pois sou por completo incapaz da felicidade. A dos comercias de margarina.
E se assim dizia, era por sentir-se acompanhada, como em um Alcoólicos Anônimos, no mundo das más pessoas, dos eternamente acometidos pelo “elemento fantástico prejudicial”.
Continua caminhando. Alguém esbarra. A musica, as pupilas, um toque leve na mão, e sentiu que se não o tivesse se dissolveria em borboletas, ou morreria de inanição.
Daí tiveram-se, e jamais.
E grande quantidade de letras para o fato se fará inútil. Agora hora do banho, depois da morte.E a sua paixão, pelos sentidos que desconhecemos, com o por dos sóis, desfez-se. Tornou-se um não mais.
E a menina, uma única tristeza.
Sofrer, amar, ser romântica, ainda que declaradamente tolo, e nada moderno, fez dela porto principal.
“Tudo acontece, menina, e não é importante, menina. E nada, fica nos teus olhos.”
E o fogo consumiu os dedos e os cabelos.
Que não importavam.
As sombras da varanda na parede, os acontecimentos dos últimos dias deixando os passos mais firmes.
Andando pela rua, como no Ascensor. Mas não chovia.
Queimava. Ainda queima.
As coisas dispostas como propositalmente pela casa, e ia jogando álcool. Ia chorando algo, e sufocando o choro no travesseiro. Assim se queima mais fácil.
É só respirar, pensando. Só respirar e a solidão lhe será confortável.
E lhe perguntaram por quê... A minha alma tem crescido demais.
Apaga essa luz.
Vai prendendo os dentes. Apertando a cabeça.
Apaga essa luz... Pra quando clarear, eu fingir que sou folha branca.
As mascaras sim, sempre grudam no rosto, leu outra vez. Eu sou amável. Eu sou só. Cantarolando e salivando o travesseiro. Eu sou amável e não compreendo um único instante. Meus dedos tremem, e já não sou a mesma.
Imaginou que se o outro lhe ouve-se procurado, diria simples e claro, para sumir, ser ausência... Mas era tarde para comentários a respeito do amor.
Eu somente padeço das dores que escolho. Ora escolho as mais bonitas, ora escolho as mais mesquinhas.
E de tanto se forjar acreditou. De insistir que era feliz.
Eu sou feliz.
E as coisas passam como as pessoas em seus carros, e suas um milhão de preocupações.
As coisas passam, e nas lapides não cabe mais que um trecho.
Eu não sou importante, quão mais a tua ligação.
Não adiantaria criar tantos detalhes de si mesma. Gostos e desgostos, para sentir-se diferente.
Se fosse abraçada choraria como quem enterra um filho.
Silencio... Silencio. Mastigue-se.
Pensando. Ainda no quarto.
As noites de inverno têm uma beleza surreal, as nuvens um rosa Walt Disney, e os namorados tão patéticos quanto.
Ah, o inverno, lhe trazia sensações tão ruins quanto às brigas dos pais.
E fez de fechar as janelas, depois de ver um filme...
É bem simples.
Quero ir pra casa, pois não me sinto bem. Mas não sei ao certo onde fica.
Os cigarros me trazem mais câncer do que calma. Os amores me trazem mais câncer do que calma.
Preciso de um banho; Estomago embrulhado.
Tudo isso por ouvir um não. Eu tenho me mimado demais. E tentava dormir, fazendo carinho nos cabelos.
“Uns tomam éter, outros cocaína” pena Manuel bandeira não estar aqui para um chá, já que também não danço.
E o sono se tornando sonho, Há de ir se tornando um outro dia, assim que clarear.
Dos incêndios restam as cinzas.
E das cinzas surgirão desenhos com os dedos, como na infância.
É preciso queimar, é preciso dançar esta dança, Fechando os olhos, até para que valham prendendo o choro, todas as lembranças.


ao som de CocoRosie, Terrible Angels, quinta feira,
e que venha o fim de semana.
M. Milza.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

And then she just stopped crying cos everyone knows that crying won't solve any damn thing. And... When you don't cry it's easier to be successful pretending that nothing is wrong, what is very useful to avoid questions about the origins of such sadness and uneasiness. The problem being that she simply didn't know how to answer those questions not even to herself so how could she be able to answer them to any other person. The only result anyone would be able to get from the answering (of those questions) would be a lie (a completely made up story of miserable life, the easiest way of getting rid of inconvenient questioners) or the unsuccessful attempt of the questioner to explain to her why She was sad.
Therefore, she just stopped crying. Except maybe for when watching films... Man! those romantic comedies just killed her sobbing.



Sorry for the English. Too many sitcoms maybe...
M.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A coisa mais linda da minha vida

"(...)
O fear not in a world like this,
And thou shalt know erelong,
Know how sublime a thing it is
To suffer and be strong."

É um conjunto de técnicas que a gente vai aprendendo a criar - e lidar - que permite que o que não é bem vindo aos olhos e à alma (diga-se, à calma), permaneça-nos indistinto. É uma camuflagem, isso (está ali, mas não se vê). Camuflar o sentir, porque às vezes vale a pena.

L.

domingo, 5 de setembro de 2010

Manha de sábado.
Tenho medo de abrir os olhos.
E sobre eles pesam minha raça.
E esse peso força, sem dor,
Mas dilacera,
Cada parte vil que a visão reflete
Cada comando bruto de substancia em mim.
“Como se já morta, desenhasse a mortalha,
E deixasse sair com visões de humanidade
Por esses meus olhos toda ambigüidade
Em água e sal ,as belezas de um canalha.
E á aceitar que por mais que a alma dance,
Ver despontar além da normal fúria
Um animal cruel que em mim descanse
A voz subversiva da luxuria.”
“Ao Homem o que é humano.”
Pensei ao acordar.
Manha de sábado, tenho medo de abrir os olhos.


M. Milza

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Anos luz,
Mais relógios que tempo.
Comunicação à assunto.
Mais barreiras que vento.
O mundo
já foi
descoberto.
Anos luz,
Há dinheiro nos bolsos
E nos sentimentos.
Rapidez, fluidez
Que importa o depois
Se o auge
é
momento.
Anos luz,
Estúpido clarão
Cegueira
e
tormento.



M.Milza

terça-feira, 31 de agosto de 2010

"Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação."
Clarice L.

Esse trecho é exatamente o que eu precisava pra tentar me entender, ao menos agora.

Aproveitar e me desculpar por não postar textos de minha autoria, porque sabe como é.. a falta de tempo me consome.

L.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Uneasiness

"But how tell an undefinable uneasiness, variable as the clouds, unstable as the winds? Words failed her - the opportunity, the courage." Gustave Flaubert em Madame Bovary

"Life is either a daring adventure or nothing" Hellen Keller


Frases que me tocaram essa semana. Uma que define momentos tão bem e uma que me fez pensar... ansiosamente... em mudança.

Espero que gostem.
M.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sem muitas palavras, só quero expressar minha abominação por esse maldito sentir.

Pra você, que gosta de Leminski:
"O amor, então, você acha que acaba?
Não, que eu saiba.
Só o que sei é que se transforma em matéria prima
que a vida se encarrega de transformar em ódio
ou em rima"

L.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Notas de um velho Safado

Um cocainômano, alcoólatra sem muito o que dizer. "
tenho de discordar, cordialmente.
gosto de Bukowski, por seu dom de transcrever-se,com todo seu talento, de ser -absurdamente- humano. E não disfarçar-se com panos, flores, métrica, sentido e uma cara de poeta.
O puto não tem cara de poeta.
Isso me fez remoer a necessidade -obrigatoriedade- que todos temos de nos mostrar.
Mostrar o que somos, para tentar gravar em nos, o que somos.
o post é grande, o texto é dele. vale a pena ler.



Das 5 irmãs, Cass era a mais moça e a mais bela. E a mais linda mulher da cidade. Mestiça de índia, de corpo flexível, estranho, sinuoso que nem cobra e fogoso como os olhos: um fogaréu vivo ambulante. Espírito impaciente para romper o molde incapaz de retê-lo. Os cabelos pretos, longos e sedosos, ondulavam e balançavam ao andar. Sempre muito animada ou então deprimida, com Cass não havia esse negócio de meio termo. Segundo alguns, era louca. Opinião de apáticos. Que jamais poderiam compreendê-la. Para os homens, parecia apenas uma máquina de fazer sexo e pouco estavam ligando para a possibilidade de que fosse maluca. E passava a vida a dançar, a namorar e beijar. Mas, salvo raras exceções, na hora agá sempre encontrava forma de sumir e deixar todo mundo na mão.
As irmãs a acusavam de desperdiçar sua beleza, de falta de tino; só que Cass não era boba e sabia muito bem o que queria: pintava, dançava, cantava, dedicava-se a trabalhos de argila e, quando alguém se feria, na carne ou no espírito, a pena que sentia era uma coisa vinda do fundo da alma. A mentalidade é que simplesmente destoava das demais: nada tinha de prática. Quando seus namorados ficavam atraídos por ela, as irmãs se enciumavam e se enfureciam, achando que não sabia aproveitá-los como mereciam. Costumava mostrar-se boazinha com os feios e revoltava-se contra os considerados bonitos — “uns frouxos”, dizia, “sem graça nenhuma. Pensam que basta ter orelhinhas perfeitas e nariz bem modelado… Tudo por fora e nada por dentro…” Quando perdia a paciência, chegava às raias da loucura; tinha um gênio que alguns qualificavam de insanidade mental.
O pai havia morrido alcoólatra e a mãe fugira de casa, abandonando as filhas. As meninas procuraram um parente, que resolveu interná-las num convento. Experiência nada interessante, sobretudo para Cass. As colegas eram muito ciumentas e teve que brigar com a maioria. Trazia marcas de lâmina de gilete por todo o braço esquerdo, de tanto se defender durante suas brigas. Guardava, inclusive, uma cicatriz indelével na face esquerda, que em vez de empanar-lhe a beleza, só servia para realçá-la.
Conheci Cass uma noite no West End Bar, Fazia vários dias que tinha saído do convento. Por ser a caçula entre as irmãs, fora a última a sair. Simplesmente entrou e sentou do meu lado. Eu era provavelmente o homem mais feio da cidade — o que bem pode ter contribuído.
— Quer um drinque? — perguntei.
— Claro, por que não?
Não creio que houvesse nada de especial na conversa que tivemos essa noite. Foi mais a impressão que causava. Tinha me escolhido e ponto final. Sem a menor coação. Gostou da bebida e tomou varias doses. Não parecia ser de maior idade, mas, não sei como, ninguém se recusava a servi-la. Talvez tivesse carteira de identidade falsa, sei lá. O certo é que toda vez que voltava do toalete para sentar do meu lado, me dava uma pontada de orgulho. Não só era a mais linda mulher da cidade como também das mais belas que vi em toda minha vida. Passei-lhe o braço pela cintura e dei-lhe um beijo.
— Me acha bonita? — perguntou.
— Lógico que acho, mas não é só isso… é mais que uma simples questão de beleza…
— As pessoas sempre me acusam de ser bonita. Acha mesmo que eu sou?
— Bonita não é bem o termo, e nem te faz justiça.
Cass meteu a mão na bolsa. Julguei que estivesse procurando um lenço. Mas tirou um longo grampo de chapéu. Antes que pudesse impedir, já tinha espetado o tal grampo, de lado, na ponta do nariz. Senti asco e horror.
Ela me olhou e riu.
— E agora, ainda me acha bonita? O que é que você acha agora, cara?
Puxei o grampo, estancando o sangue com o lenço que trazia no bolso. Diversas pessoas, inclusive o sujeito que atendia no balcão, tinham assistido a cena. Ele veio até a mesa:
— Olha — disse para Cass, — se fizer isso de novo, vai ter que dar o fora. Aqui ninguém gosta de drama.
— Ah, vai te foder, cara!
— É melhor não dar mais bebida pra ela — aconselhou o sujeito.
— Não tem perigo — prometi.
— O nariz é meu — protestou Cass, — faço dele o que bem entendo.
— Não faz, não — retruquei, — porque isso me dói.
— Quer dizer que eu cravo o grampo no nariz e você é que sente dor?
— Sinto, sim. Palavra.
— Está bem, pode deixar que eu não cravo mais. Fica sossegado.
Me beijou, ainda sorrindo e com o lenço encostado no nariz. Na hora de fechar o bar, fomos para onde eu morava. Tinha um pouco de cerveja na geladeira e ficamos lá sentados, conversando. E só então percebi que estava diante de uma criatura cheia de delicadeza e carinho. Que se traia sem se dar conta. Ao mesmo tempo que se encolhia numa mistura de insensatez e incoerência. Uma verdadeira preciosidade. Uma jóia, linda e espiritual. Talvez algum homem, uma coisa qualquer, um dia a destruísse para sempre. Fiquei torcendo para que não fosse eu.
Deitamos na cama e, depois que apaguei a luz, Cass perguntou:
— Quando é que você quer transar? Agora ou amanhã de manhã?
— Amanhã de manhã — respondi, — virando de costas pra ela.
No dia seguinte me levantei e fiz dois cafés. Levei o dela na cama.
Deu uma risada.
— Você é o primeiro homem que conheço que não quis transar de noite.
— Deixa pra lá — retruquei, — a gente nem precisa disso.
— Não, pára aí, agora me deu vontade. Espera um pouco que não demoro.
Foi até o banheiro e voltou em seguida, com uma aparência simplesmente sensacional — os longos cabelos pretos brilhando, os olhos e a boca brilhando, aquilo brilhando… Mostrava o corpo com calma, como a coisa boa que era. Meteu-se em baixo do lençol.
— Vem de uma vez, gostosão.
Deitei na cama.
Beijava com entrega, mas sem se afobar. Passei-lhe as mãos pelo corpo todo, por entre os cabelos. Fui por cima. Era quente e apertada. Comecei a meter devagar, compassadamente, não querendo acabar logo. Os olhos dela encaravam, fixos, os meus.
— Qual é o teu nome? — perguntei.
— Porra, que diferença faz? — replicou.
Ri e continuei metendo. Mais tarde se vestiu e levei-a de carro de novo para o bar. Mas não foi nada fácil esquecê-la. Eu não andava trabalhando e dormi até às 2 da tarde. Depois levantei e li o jornal. Estava na banheira quando ela entrou com uma folhagem grande na mão — uma folha de inhame.
— Sabia que ia te encontrar no banho — disse, — por isso trouxe isto aqui pra cobrir esse teu troço aí, seu nudista.
E atirou a folha de inhame dentro da banheira.
— Como adivinhou que eu estava aqui?
— Adivinhando, ora.
Chegava quase sempre quando eu estava tomando banho. O horário podia variar, mas Cass raramente se enganava. E tinha todos os dias a folha de inhame. Depois a gente trepava.
Houve uma ou duas noites em que telefonou e tive que ir pagar a fiança para livrá-la da detenção por embriaguez ou desordem.
— Esses filhos da puta — disse ela, — só porque pagam umas biritas pensam que são donos da gente.
— Quem topa o convite já está comprando barulho.
— Imaginei que estivessem interessados em mim e não apenas no meu corpo.
— Eu estou interessado em você e também no seu corpo. Mas duvido muito que a maioria não se contente com o corpo.
Me ausentei seis meses da cidade, vagabundeei um pouco e acabei voltando. Não esqueci Cass, mas a gente havia discutido por algum motivo qualquer e me deu vontade de zanzar por aí. Quando cheguei, supus que tivesse sumido, mas nem fazia meia hora que estava sentado no West End Bar quando entrou e veio sentar do meu lado.
— Como é, seu sacana, pelo que vejo já voltou.
Pedi bebida para ela. Depois olhei. Estava com um vestido de gola fechada. Cass jamais tinha andado com um traje desses. E logo abaixo de cada olheira, espetados, havia dois grampos com ponta de vidro. Só dava para ver as pontas, mas os grampos, virados para baixo, estavam enterrados na carne do rosto.
— Porra, ainda não desistiu de estragar sua beleza?
— Que nada, seu bobo, agora é moda.
— Pirou de vez.
— Sabe que sinto saudade — comentou.
— Não tem mais ninguém no pedaço?
— Não, só você. Mas agora resolvi dar uma de puta. Cobro dez pratas. Pra você, porém, é de graça.
— Tira esses grampos daí.
— Negativo. É moda.
— Estão me deixando chateado.
— Tem certeza?
— Claro que tenho, pô.
Cass tirou os grampos devagar e guardou na bolsa.
— Por que é que faz tanta questão de esculhambar o teu rosto? — perguntei. — Quando vai se conformar com a idéia de ser bonita?
— Quando as pessoas pararem de pensar que é a única coisa que eu sou. Beleza não vale nada e depois não dura. Você nem sabe a sorte que tem de ser feio. Assim, quando alguém simpatiza contigo, já sabe que é por outra razão.
— Então tá. Sorte minha, né?
— Não que você seja feio. Os outros é que acham. Até que a tua cara é bacana.
— Muito obrigado.
Tomamos outro drinque.
— O que anda fazendo? — perguntou.
— Nada. Não há jeito de me interessar por coisa alguma. Falta de ânimo.
— Eu também. Se fosse mulher, podia ser puta.
— Acho que não ia gostar de um contato tão íntimo com tantos caras desconhecidos. Acaba enchendo.
— Puro fato, acaba enchendo mesmo. Tudo acaba enchendo.
Saímos juntos do bar. Na rua as pessoas ainda se espantavam com Cass. Continuava linda, talvez mais do que antes.
Fomos para o meu endereço. Abri uma garrafa de vinho e ficamos batendo papo. Entre nós dois a conversa sempre fluía espontânea. Ela falava um pouco, eu prestava atenção, e depois chegava a minha vez. Nosso diálogo era sempre assim, simples, sem esforço nenhum. Parecia que tínhamos segredos em comum. Quando se descobria um que valesse a pena, Cass dava aquela risada — da maneira que só ela sabia dar. Era como a alegria provocada por uma fogueira. Enquanto conversávamos, fomos nos beijando e aproximando cada vez mais. Ficamos com tesão e resolvemos ir para a cama, Foi então que Cass tirou o vestido de gola fechada e vi a horrenda cicatriz irregular no pescoço — grande e saliente.
— Puta que pariu, criatura — exclamei, já deitado. — Puta que pariu. Como é que você foi me fazer uma coisa dessas?
— Experimentei uma noite, com um caco de garrafa. Não gosta mais de mim? Deixei de ser bonita?
Puxei-a para a cama e dei-lhe um beijo na boca. Me empurrou para trás e riu.
— Tem homens que me pagam as dez pratas, aí tiro a roupa e desistem
de transar. E eu guardo o dinheiro pra mim. É engraçadíssimo.
— Se é — retruquei, — estou quase morrendo de tanto rir… Cass, sua cretina, eu amo você… mas pára com esse negócio de querer se destruir. Você é a mulher mais cheia de vida que já encontrei.
Beijamos de novo. Começou a chorar baixinho. Sentia-lhe as lágrimas no rosto. Aqueles longos cabelos pretos me cobriam as costas feito mortalha. Colamos os corpos e começamos a trepar, lenta, sombria e maravilhosamente bem.
Na manhã seguinte acordei com Cass já em pé, preparando o café. Dava a impressão de estar perfeitamente calma e feliz. Até cantarolava. Fiquei ali deitado, contente com a felicidade dela. Por fim veio até a cama e me sacudiu.
— Levanta, cafajeste! Joga um pouco de água fria nessa cara e nessa pica e vem participar da festa!
Naquele dia convidei-a para ir à praia de carro. Como estávamos na metade da semana e o verão ainda não tinha chegado, encontramos tudo maravilhosamente deserto. Ratos de praia, com a roupa em farrapos, dormiam espalhados pelo gramado longe da areia. Outros, sentados em bancos de pedra, dividiam uma garrafa de bebida tristonha. Gaivotas esvoaçavam no ar, descuidadas e no entanto aturdidas. Velhinhas de seus 70 ou 80 anos, lado a lado nos bancos, comentavam a venda de imóveis herdados de maridos mortos há muito tempo, vitimados pelo ritmo e estupidez da sobrevivência. Por causa de tudo isso, respirava-se uma atmosfera de paz e ficamos andando, para cima e para baixo, deitando e espreguiçando-nos na relva, sem falar quase nada. Com aquela sensação simplesmente gostosa de estar juntos. Comprei sanduíches, batata frita e uns copos de bebida e nos deixamos ficar sentados, comendo na areia. Depois me abracei a Cass e dormimos encostados um no outro durante quase uma hora. Não sei por quê, mas foi melhor do que se tivessemos transado. Quando acordamos, voltamos de carro para onde eu morava e fiz o jantar. Jantamos e sugeri que fossemos para a cama. Cass hesitou um bocado de tempo, me olhando, e ao respondeu, pensativa:
— Não.
Levei-a outra vez até o bar, paguei-lhe um drinque e vim-me embora. No dia seguinte encontrei serviço como empacotador numa fábrica e passei o resto da semana trabalhando. Andava cansado demais para cogitar de sair à noite, mas naquela sexta-feira acabei indo ao West End Bar. Sentei e esperei por Cass. Passaram-se horas. Depois que já estava bastante bêbado, o sujeito que atendia no balcão me disse:
— Uma pena o que houve com sua amiga.
— Pena por quê? — estranhei.
— Desculpe. Pensei que soubesse.
— Não.
— Se suicidou. Foi enterrada ontem.
— Enterrada? — repeti.
Estava com a sensação de que ela ia entrar a qualquer momento pela porta da rua. Como poderia estar morta?
— Sim, pelas irmãs.
— Se suicidou? Pode-se saber de que modo?
— Cortou a garganta.
— Ah. Me dá outra dose.
Bebi até a hora de fechar. Cass, a mais bela das 5 irmãs, a mais linda mulher da cidade. Consegui ir dirigindo até onde morava. Não parava de pensar. Deveria ter insistido para que ficasse comigo em vez de aceitar aquele “não”. Todo o seu jeito era de quem gostava de mim. Eu é que simplesmente tinha bancado o durão, decerto por preguiça, por ser desligado demais. Merecia a minha morte e a dela. Era um cão. Não, para que pôr a culpa nos cães? Levantei, encontrei uma garrafa de vinho e bebi quase inteira. Cass, a garota mais linda da cidade, morta aos vinte anos.
Lá fora, na rua, alguém buzinou dentro de um carro. Uma buzina fortíssima, insistente. Bati a garrafa com força e gritei:
— MERDA! PÁRA COM ISSO, SEU FILHO DA PUTA!
A noite foi ficando cada vez mais escura e eu não podia fazer mais nada.

charles bukowski

terça-feira, 17 de agosto de 2010

"Gosta que a dança seja, e que ela seja parte de algo,
Não só porque o corpo almeja, mas porque sabe.
Os cabelos pretos fazem blues.
A musica nos pés faz a noite parecer um sonho,
É, gosta de esquecer quanto custam as pessoas.
O olhar, quando a musica toca, torna tudo divino.
Gosta que a musica seja, e que ela seja parte de algo.
A moça lhe disse ... os pássaros estavam na calçada,
O vento fez as palavras e os pássaros voarem,
A canção dizia pra ficar tranqüila,
O sol vai te tornar livre
E ninguém pode deter o sol, pequena”
A canção dizia que a chuva também limpa almas,
E que ninguém deve perder sua alma.
A noite parecia um sonho.
Gosta que a noite seja, e que ela seja parte de algo.
As vezes se sentir sozinha é necessário,
Pra poder ouvir agora “tudo ficará bem pequena”"



terça feira e céu azul,e eu sei que dói," um fluxo ardente e desnecessário", eu sei.
mas há de crescer em ti um espírito mais forte pequena.

M. Milza

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Expectativas e arco-íris...

Sejamos sinceros... todos vivemos em função de expectativas, expectativas dos pais, dos familiares, dos amigos, dos colegas, dos chefes e, principalmente, das nossas próprias expectativas sobre quem pensamos que somos ou os personagens que construímos para nós mesmos. Não minta pra si, admita, você é assim também, ninguém precisa ficar sabendo.

O problema é que expectativas são como arco-íris, quando parecemos finalmente atingi-los, já se moveram mais à frente.

O funcionário esforçado, trabalhador, o que recebe?... admiração talvez, um salário melhor raramente, a inveja dos colegas ou , quem sabe, uma demissão pois o chefe se sente ameaçado. Com certeza uma carga maior de trabalho, afinal “aquele ali dá conta”.

O estudante diligente recebe um 10... :“Nada de mais, já esperávamos isso dele, mas ele realmente tem que começar a praticar esportes, desenvolver uma vida social...”, dizem as más línguas, “é que ele tem facilidade”. O estudante medíocre diz: “é um nerd” e tira um 7: “Meu Deus! Que avanço! Vamos pôr o boletim na geladeira. Temos que estimulá-lo!

O filho zeloso comete um pequeno deslize “que horror!, como ele pôde!”. O filho folgado do vizinho comete um mesmo deslize... ninguém nem nota.

E a cada grau de expectativas atingido, sobe a margem para críticas.E se no fim, o esforçado, o diligente, o zeloso não consegue atingir as cada vez mais altas expectativas: “Que pena! Que decepção! Sempre achei que ele seria capaz de ir mais longe” e o medíocre atinge o grau um de expectativa “ Que ótimo! Ele foi bem mais longe do que qualquer um de nós poderia esperar!”.
Talvez seja esse o segredo da felicidade, viver sem o peso das expectativas, sem o peso do mundo nas costas de Atlas sobre nós. Mas como?


Desculpem o amargor, deve ser a TPM falando mais alto diante da ausência de chocolates... sempre é.

M.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010


É importante saber, em primeiro . que não sei colocar títulos, que soam normalmente como mascarás tolas...
e que hoje vim por um único motivo, um motivo nobre que vi surgir em mim: a amizade.
para escrever como a amizade com sua força enorme,
arranca de mim toda vilania!
mentira.
quase toda.
Vim, porque tenho de agradecer, logo de inicio por essas duas.
como em oração, pelas horas do dia, que me fez crer não existirem apenas idiotas de sapatos na turma.
que sentimentos não são jogos de interesse.
que se pode sorrir de olhos fechados.
que eu deveria abandonar a idéia dos homicídios.
quase toda vilania.
encerrando os agradecimentos, [um viva e uma mão de confetes ] também pelo "Pequenos Espiões dois, a Ilha dos Sonhos Perdidos", conseguiu com o que é certamente a pior [umas das piores] produções que já vi, hipnotizar minha sobrinha.
que antes discutia comigo a existência de deus, a amanhã lerá veja. Se tudo correr bem.
Viva!
Agora sim...
Começando! estou feliz, em dividir com vocês, esse pedaço de pizza fria, que é o blog.
adoro pizza fria.que seria um otimo titulo.
logo volto.
M. Milza.

Aleatório

Então eu decidi que alguém deveria postar alguma coisa e que como o ultimo post tinha sido da L. e a Mi tá sem internet esse alguém provavelmente deveria ser eu.
Acontece que eu não tinha a menor idéia do que dizer e resolvi adotar uma técnica muito difundida entre escritores (eu ouvi dizer, nunca conversei com escritor algum sobre o assunto). Trata-se da técnica comece a escrever pra conseguir escrever.
Aparentemente não funcionou muito bem, visto que eu ainda não tenho sequer uma idéia sobre o quê falar.
.
.
.
Me faz pensar... Esse blog foi feito com fins puramente de exercício de escrita por
três amigas com idéias muito semelhantes e ao mesmo tempo muito diversas sobre
assuntos em geral. Prometemos escrever o mais frequentemente possível. No entanto, vale a pena escrever quando não se tem nada de tão interessante a se dizer? A única conclusão a que eu posso chegar é que sim. Afinal esse me parece ser o objetivo de um exercício de escrita. E claro! Nos não viemos aqui pra dizer nada pra ninguém mesmo... (dando de ombros).

Esse fim de semana foi o dia dos pais então nós três queremos aproveitar a oportunidade para felicitar todos os papais e agradecer em especial aos nossos que obviamente jamais saberão de tal agradecimento uma vez que não disperdiçam seu precioso tempinho lendo blogs por aí.
Finalmente queria agradecer a visita da minha amiga A. Foi bom ver você mesmo que por tão pouco tempo. Saudades sempre da minha irmã do coração.

É o suficiente de sentimentalismos por hoje. Parece que a técnica aprovada por 9 entre 10 dentistas, digo, escritores não funcionou muito bem.

Beijos, Má

"Her hair reminds me of a warm, safe place where as a child I'd hide"

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A insustentável leveza do ser

"Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça um esboço. No entanto, mesmo "esboço" não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro.

Einmal ist keinmal (em alemão) = uma vez não conta, uma vez é nunca. Não pode viver senão uma vida é como viver nunca."

Esse é um trecho do livro que comecei a ler ontem, "A insustentável leveza do ser". Achei fantástico e o livro parece ser muito perfeito.

Na aula de Civil, anteontem, o professor perguntou "o que é família?". É fácil mas é dificil responder. E a vontade de falar: Ohana é família. Família é nunca abandonar ou esquecer. (né, Barretinha? hahaha)
Assisti uma vez Lilo e Stitch, há um tempo já. Ela é muito fofa. Hm.. saudade.

Alguém sabia que algum dia da semana passada foi "o dia do orgasmo"? Eu não sabia que o orgasmo tinha um dia pra ele. Na verdade por que estipularam tal dia pra esse dia, qual foi o critério de escolha? Enfim.

A gente aprende coisas úteis na faculdade também, como as melhores cantadas de pedreiro:
- Oi, você tem um garfo?
- Não, por que?
- Porque tô dando sopa.
- .. garfo?
- É porque sou difícil.

Tô atrasada pro RPG. Conforme eu for postando, vou colocando o resto das cantadas, que tenho certeza que serão muito úteis pra quem estiver lendo. Se é que alguém vai ler.

Beijos.
L.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Viagem - Final

olá.

Desulpem a demora, mas, realmente, blog deve ser uma coisa de desocupados pq eu tinha tanta coisa pra fazer que a noite a ultima coisa que eu queria (ou melhor conseguia) fazer, era blogar....
Pois bem, já estou de volta a minha vidinha quase pacata... mas conto aos curiosos um pequeno grande resumo do que se passou...

Ainda em Bariloche fizemos esquibunda; comemos; brincamos na neve, comemos o magnífico, lindo, maravilhoso, perfeito cupcake da loja Rapa Nui; fizemos o passeio de barco pelo lago Nahuel Huapi até a Isla Victória e o Bosque de Arrayane: vistas lindas, "gaviotas" voando ao lado do barco e pegando comida da mão de turistas brasileiros(outra espécie muito encontrada na região), e um bosque que conforme dizem foi a inspiração para Walt Disney criar o Bambi (apesar de não haver provas de que ele sequer tenha estado lá). Fomos encontrar amigos que também estavam lá por uma agência numa baladinha chamada Rocket (sim, amigos, eu , M., na baladinha): obviamente eu não gostei... média de idade: 15 anos, média do tamanho da saia da meninas: 15 cm, música: FUNK, juro por Deus, FUNK na ARGENTINA. Pra um certo amigo, o Paraíso (Z. lembrei de vc); para mim, o inferno na Terra. Só valeu a pena encontrar meus amiguinhos q a muito não via.

Em seguida, fomos a San Martin de los Andes, pelo famoso Caminho dos Sete Lagos... mais uma vez a vista estava maravilhosa e Nevou! \0/ San Martin é muito mais agradável que Bariloche, também tem um centro de ski, o Cerro Chapelco, mais barato e com opções divertidas ao esqui, como Moto de Neve e trenós puxados por huskies siberianos, mas não tem esquibunda. É também um destino famoso de verão e de pesca para os argentinos. Por incrível que possa parecer, faz calor nesta época do ano (verão, é claro) e tem praias de lago e esportes radicais na água.Ahh, sim... restaurantes e uma "paneteria" incríveis.

eEntão, começamos nosso caminho de volta =/... Neuqúen: num hotel legalzinho na beira da estrada cujo nome não me lembro... Santa Rosa: num hotel não tão legalzinho, com aquecimento demais, lençóis furados e uma mancha no meu cobertor que não quero nem pensar do que era... Buenos Aires: onde só almoçamos em Puerto Madeiro (quero voltar!) e comi a melhor refeição da minha vida e tomei sorvete Freddo e pegamos o Buquebus até... Colõnia del Sacramento, Uruguay: linda, toda estilo colonial e sem vaga em nenhum hotel... seguimos para Montevidéo: qdo finalmente encontramos um hotel (Hotel Libertador), um daqueles hotéis q foi bom há muito, MUITO tempo, cheio de gambiarras elétricas, corredores escuros forrados com carpete velho vermelho pelos quais andava, arrastando a perna, um porteiro tão velho qto o hotel (ou seja, MUITO velho)... não é brincadeira, nem exageiro... parecia filme de terror. pra piorar o quarto era tão poeirento, que parecia que eu tava respirando terra, nem Deus podia me ajudar nessa.

Por fim, pegamos as melhores-estradas-do-mundo-uruguaias até Chuy, comprinhas e Brasil \o/... os viadinhos q não consegui ver na Argentina deu pra ver em Pelotas (ai desculpa, não resisti), os guapos q não vi por lá, estavam todos em Floripa e Porto Alegre (isso só olhando pela janela do carro)e finalmente: Home, Sweet Home.

Balanço Geral: 9000 e poucos km, mais de 100 horas dentro do carro (o GPS parou de contar no 100), boa companhia, hotéis bons, hotéis ruins, comida boa, comida... excelente, baladinha dos infernos, algumas das melhores vistas do mundo, brincar na neve igual o Calvin e o Haroldo, alfajores, Freddo, compras em Chuy e, por supuesto, alguns muitos kilos a mais. Valeu a pena? que nada....

terça-feira, 27 de julho de 2010

Quem tem minha verdade, sabe?

Até que ponto vale a pena insistir? O pior é você insistir em algo que já lhe foi mostrado que não vai dar certo, mas tem alguma coisa bem grande dentro de você que te faz continuar tentando, e conforme vai cansando, também vai doendo. É o preço que se paga. É?
Queria ser reencontrada no coração de quem costumava ser outra pessoa.

L.

sábado, 17 de julho de 2010

Em algum lugar no tempo

Ok, eu disse que não ia considerar esse blog um diário, mas dane-se.

Cheguei em casa de manhã, minha prima me pegou pelo braço, me levou até a garagem e minha irmã falou: Laís, é pra voce ver a bruxa (borboleta, obviamente), que tá do seu lado. Eu gritei, saí correndo e xinguei minha prima de vários nominhos feios hehe. Meu, ela ficou puta comigo por eu tê-la xingado! pqp, será que uma mulher de 33 anos não sabe diferenciar ocasiões em que um (ou vários, no caso) palavrão é pronunciado? Ela sabe que tenho PAVOR desse bicho desde criança. Aff. sério, as pessoas estão muito chatas ultimamente. Talvez seja eu.

Haha, ontem li uma reportagem em que uma juíza argentina, Marta Covella, disse que se recusaria a casar gays mesmo que isso lhe custasse sua própria vida. Falou que a união entre homossexuais é uma coisa errada diante dos olhos de Deus e que, como ela foi criada lendo a Bíblia, sabe o que Deus pensa. Uau!
¬¬ sua mal comida. V. Exa é que é uma coisa errada, além de tb estar no cargo errado. Seu país tá indo pra frente, amiga, e você vai ocupar a foto do próximo post de esqueleto de dinossauro.

Tô indo ao show do Biquini Cavadão, ao qual todas minhas amigas ganharam o ingresso, menos eu. Não me importo, meu pai adora me dar dinheiro. Estou atrasada (ah, capaz!).

"Não tenha medo de mim, não importa o que aconteça.
Não me tire da sua vida, nem desapareça..
Em algum lugar no tempo, nós ainda estamos juntos. Pra sempre!"

Beijos!
L.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Viagem n


Hola!

tenho feito tanta coisa que não tenho tido tempo de postar...
deixa eu ver... onde estávamos?
sim, Neuquén - Bariloche... a viagem foi tranquila e paramos em Villa Él Chocón para visitar o Museu de los Dinossaurios. lá está preservado o esquelo do maior dinossauro já encontrado, o Giganotossauro, que foi descoberto durante as escavações para a construção da represa... é bem legal o lugar e Deus permaneceu calado quanto a extinção dos bichinhos...

então chegamos Bari... neve para todos o lados, uma das vistas mais bonitas do mundo (com o lago, as montanhas, a neve e o verde um frio de ... não tem jeito de explicar... uma "fotinha" pode a´te ajudar a entender do que eu to falando, mas só vai entendero quão lindo é isso aqui quem vier e ver por si só)...
Frio, muito frio... tipo -2 meio dia no centro que é a parte mais quente da cidade... no primeiro dia aqui, no Cerro Campanário (de onde se pode ver até o Chile), tava tão frio que achei que ia perder os dedos... e olha que eu tava agasalhada...

Já fizemos compras, esquiamos e tudo mais... Mas acima de tudo nós comemos, Nossa como nós comemos! e bem! Sempre seguindo a máxima : "hay que comer, pero sin perder la gordura". Os restaurantes do Boliche de Alberto (tanto massas, quanto carnes) são excelentes e têm um preço razoável pros padrões brasileiros.

Qto à Deus.. tem preferido ficar em casa quentinho rlaxando.. afinal ele já viu tudo isso né?
Finalmente, para os amigos... sim, eu caí esquiando! sim, me filmaram! não,não mostro o vídeo qdo chegar em casa e não, ninguém vai postar no youtube, nem mandar pras video cassetadas..

qdo der conto mais...
Besos, de Bariloche, Mariana.

PS: Lá e Mi... esse é supostamente um blog coletivo... pq não vejo nem posts nem comentários de vcs? to com sdd

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Viagem 5

Hola!
não postei ontem, mas posto hj.... hehe
ontem saímos de Gral. Villegas e viemos até Neuquén... estamos hospedados no Hotel Land Express que é o melhor em que a gente já ficou aqui... ontem rolou até uma piscina aquecida...
e hj já vamos pra Bariloche \o/

Como me é inerente já estou passando vergonha com o espanhol... até consigo explicar o q quero mas na hora de entender o que dizem sou um desastre total...
hj o garçon perguntou se era pra por a água que eu havia pedido na conta do quarto e eu respondi que não ia pro quarto não, ia pra academia...

Deus está ausente nas últimas postagens, mas continua conosco... é que não tinha nada pra fotografar com ele....
digo, as paisagens são lindas, mas não dá pra capturá-las com uma câmera, mto menos sem grande angular.

atravessamos ontem o deserto (não um deserto com dunas de areia, mas um com uma vegetação rasteira, uns arbustinhos e.... bem, mais nada...absolutamente nada por 400 KM)

mañana llegamos a Bari y yo les digo más, sí?

Besos
de Neuquén, Má

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Viagem 4

oi!
hj vou ser mais rapida do q o comum pq estou cansada e meus olegas de quarto (pais) querem dormir...
mais de 900 km, em 13 horas, de Paso até aqui, Gral. Villegas, Hotel Oceano.
a vista é linda, especialmente o por do sol... tudo muito plano... o horizonte lá longe...
o rio que atravessamos em Rosário tbm é lindo... mas as estradas Argentinas não estão mais tão boas, pq fui abrir minha boca gde. né?)
por hj é só... mais detalhes amanhã

Bj. de Gral. Villegas, Má

domingo, 11 de julho de 2010

A Viagem 3


Hola! Qué tal?
estamos em solo Argentino! \o/
Paso de los Libres, mais precisamente.
saímos de São Miguel mais ou menos meio dia, não antes de visitar as ruínas das missões. O lugar continua tão lindo e grandioso como da última vez em que estivemos lá, "transpira história" como diria um amigo. Tiramos várias fotos, tentamos fingir-nos de fotógrafos profissionais (no meu caso não deu muito certo, não) e fomos picados por borrachudos (sim, eles existem no clima frio tbm... preciso conversar com Ele sobre a utilidade de algumas de suas criações)... enfim, tudo que compõe um bom passeio. Deus tbm parece ter aprovado, como se percebe na foto.

Atravessamos a fronteira em São borja e foi bem tranquilo, sem filas nem nada do que a gente tinha visto em Uruguaiana da outra vez e, finalmente, estradas Argentinas... retas intermináveis que se tornarão ainda mais intreminveis á frente e com um asfalto com uma qualidade que a maioria dos brasileiros desconhece...

Chegamos aqui em Paso ás 6:30. O hotel Alejandro (que faz ressoar uma música grudenta de uma cantora pra lá de esquisita na minha cabeça, não sei se vcs conhecem ela... uma tal de Lady qlqr coisa... hauahua)já deve ter visto melhores tempos, mas o jantar parece bom... vou verificar agora...

Beijos, ou melhor, Besos
de Paso de los Libres, AR, Má

sábado, 10 de julho de 2010

A Viagem - dia 2

olá!
Continuando a Viagem: hoje saímos de Curitiba e viemos até São Miguel das Missões-RS, 13 horas de viagem... daí a falta deinspiração pra escrever...
bom, às dicas: almoçamos no Hotel Igaropê (ou Icaropê?) á beira da estrada em Concórdia, SC.Jantamos já aqui em São Miguel num restaurante simples e de preço justo, mas com a comida muito boa e atendimento simpático, chamado Barum. Estamos hospedados na Pousada das Missões, que também é albergue e faz parte do International Hosteling. O preço é bom e o lugar bem agradável. Amanhã vamos visitar as ruínas que parecem lindas iluminadas á noite. Posto fotos amanhã com nosso amiguinho, digo, Amiguinho, pq hj não tinha nada tão interessante pra se ver.

de São Miguel das Missões, Má

PS: Mi, cadê vc?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A Viagem



olá!
começou a Viagem: 8 pessoas, 2 carros e 1 Deus. Origem: Poços de Caldas, M.G., Brasil. Destino: Bariloche, Argentina.

Hoje foi o primeiro dia (não considero realmente uma viagem de Poços de Caldas a Vinhedo). Fomos de Vinhedo, SP a Curitiba (Hotel Ibis, perto do Aeroporto). Mais ou menos 9 horas de Viagem, umas três delas em congestionamentos.

Essa foto foi tirada em uma parada do Graal no caminho e esse na foto é nada mais nada menos que Deus (meu Deus de Pelúcio do site de quadrinhos www.umsabadoqualquer.com.br), nosso companhiro de Viagem que resolveu tirar umas férias.

Bom, por hj é isso, amanhã cedo a gente volta pra estrada e vamos com Deus... .
Amanhã o diário de bordo continua se Deus quiser... hehe (tá, vou tentar parar com os trocadilhos)



de Curitiba, Má

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A te

Bom dia!
ou buon giorno, seguindo a nova "moda" italiana.

A cada dia que passa a vontade e, principamente, a necessidade de sair daqui, seja da cidade ou ao menos de casa, aumenta. Mas eu tô cansada disso, de ficar só na vontade (hehe). 22 anos nas costas, tá mais do que na hora de criar vergonha na cara e ir atrás do que se quer. Ok, não usarei o blog como um diário, afinal o twitter existe pra isso (ou sei lá o que).

"... A te che cambi tutti i giorni
e resti sempre la stessa"
(listen to what we're [I'm] not saying)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Do que ainda não foi dito...

Olá!

Bom, somos três... três Elas. Três totalmente diferentes no estilo de escrever, com idéias as vezes tão diferentes que alguns pensariam “impossível que sejam amigas” e, ao mesmo tempo e inexplicavelmente, tão iguais que outros diriam “é uma só se fazendo passar por três”... não. Somos três.

Três Elas... sem nome, no máximo apelidos. Elas pq não definimos nossas personalidades (isso seria impossível, visto que, como o Caro Leitor já deve ter percebido, somos Elas... com todas as variações de humor inerentes à todas as Elas)... Só elas. Que não dizem nada, pq não temos a pretensão de dizer nada a ninguém... só queremos falar mesmo (ou digitar no caso) o que quisermos sem a obrigação e nem (correndo o risco de ser repetitiva) a pretensão de agradar ou chocar ninguém... a mais pura e simples expressão... para, como nossa amiguinha disse, satisfazer uma ânsia de escrever sabe-se lá o que, como, por que ou para quem.

Além disso é uma forma nova comunicação entre Nós (as Elas).

Portanto, Caro Leitor (supondo que haja algum leitor além de Nós), sinto informá-lo que não, esse blog não foi feito pra vc... foi feito pra Nós mesmas, mas sinta-se a vontade a observar e participar (comente, por favor!).

Por fim, Sim eu escrevo sempre usando “...” porque sinto que sempre há mais a não se dizer...

Ah sim... Lá, acho que sua ânsia de escrever não pesou tanto qto a minha ânsia de ter onde postar as fotos da viagem. “Que viagem?” pergunta o Caro Leitor. Bom, já disse q esse blog é pra Nós... as outras Elas entenderam... vc,Caro Leitor, vai ter que esperar....

Má.

Queria o dom dos poetas

Embora a ideia do blog tenha surgido já há algum tempo, hoje ele nasceu devido minha ânsia de escrever mas não saber como e nem o que. E isso é sufocante(!), querer transformar em palavras tanta.. vontade. Tanto excesso e falta de tudo. É sentir-se encarcerado em si querendo ir mais além, o que se pode enquanto palavra.

Bem, dei início ao blog e acho que por algum motivo tinha que ser hoje. E por mim, haha.

Postando não pra muitos ou poucos, mas pra nós.

E vamo que vamo!

L.