quinta-feira, 21 de julho de 2011





Araguaia


dias de areia quente e carinho dos pais.
um riso gigante e um beijo pras outrasduas, semana que vem nos vemos.

sábado, 4 de junho de 2011

Amar também é isso, não é?

Queria que fosse diferente, mas é sempre quando tudo que é colorido se transforma em cinza(s) que as palavras conseguem sair. Na verdade hoje nem me darei ao trabalho de digitar, vou fazer um ctrlV ctrlZ do escritor genial Caio Fernando e fazer de sua moça, a minha.. história.

“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”

L.

terça-feira, 31 de maio de 2011

texto do André Dahmer,
que sempre teve razão.


Ao completar trinta anos, você ganhará os olhos duros dos sobreviventes. Só verá sua amada na parte da manhã e da noite, só encontrará seus pais de vinte em vinte dias. E quando seus velhos morrerem, você ganhará um dia de folga para soluçar e gritar que deveria ter ficado mais próximo deles. Sorria, você é um jovem monolito e a vida vai ser pedrada. O trabalho é uma grande cadeia e você sentirá muito alívio por ter uma. A cadeia engrandece o homem. E o sangue do dinheiro tem poder. Reze. Reze ajoelhado por uma carreira, dê a sua vida por ela. Viva como todo mundo vive, você não é melhor que ninguém. Porque o dinheiro move montanhas, o dinheiro é a igreja que lhe dará o céu. Sorria, você é um jovem monolito e o mundo é uma pedreira. Eles irão moer você todinho. De brinde, muitos domingos para chorar sua falta de tempo ou operar uma tendinite. Nas terríveis noites de domingo, beba. Beba para conseguir dormir e abraçar mais uma monstruosa segunda-feira. Aquela segunda-feira que deixa cacetes moles e xoxotas secas para sempre. A vida é uma grande seca, mas ninguém sente calor: Nas salas refrigeradas, seus colegas de trabalho fabricam informação e, frios, sonham com o dia dez do próximo mês. Você é o Babaca do Dia Dez, não há como mudar o seu próprio destino. Babaca que acorda assustado, porque ninguém deve atrasar mais de vinte e cinco minutos. Eles descontam em folha e você é refém da folha, do salário, do medo. Ninguém tem o direito de ser feliz, mas você ganhará a sua esmola de seis feriados por ano. E todos nós vamos enfrentar, juntos, um imenso engarrafamento até a praia. Para fingir que ainda estamos vivos. Para mostrar que ainda somos capazes de sentir prazer. Para tomar um porre de caipirinha sentado em uma cadeirinha de praia. É uma grande solução. E você ainda ganhará quinze dias de férias para consertar a persiana, pagar contas, fazer uma bateria de exames. Ninguém quer morrer do coração, ninguém quer viver de coração. Eu não duvido da sua capacidade de vencer: Lembre disso no primeiro divórcio, no primeiro infarto, no primeiro AVC.


André Dahmer
[http://malvados.wordpress.com/]

quarta-feira, 11 de maio de 2011

chega de dramas, pra ser lido é preciso alegria.
é preciso alegria e imagens. setecentas imagens sem sentido.
chega de poesia, e de sentimentos.
afinal somos máquina, um tanto mais complexos.
mas maquinas, surdos. adormecidos.
basta ao infinito de si.
e aos olhos fechados. nada,
sempre ao futuro, sempre ao passado.
rir do respeito.
rir da musica que emociona.
rir do meu riso que era tão sincero, tão sincero.
tudo uma mentira. uma grande mentira.
basta de estar vivos, trêmulos, frágeis.
e que pare o vento. e os carinhos, e os cabelos.
já não há vento,
algum.
só se sofre o que quer.
só se chora escondido.
as historias são uma novelinha nojenta.
chega, perto de mim repete aquela fala, e aqueles gestos
que nunca disseram nada.
nunca se disse nada.
e é por isso que você se senta ai, com essa cara de estepe.
"e que não existe viver mais ou menos" só viver,
e por isso sinto tanto.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Para contar uma história de amor, precisa-se primeiro de um silêncio enorme.
Necessário, um sonhar desmedido, e uma quantidade de palavras cruéis.
Para que seja, é necessária uma parada brusca no meio do olhar e aquele sentimento bom e ruim, que simplesmente cala todas as saudades do mundo.
...E as flores...
Mas, sobretudo, o silêncio.
São indispensáveis os amigos, [de todas as espécies] e o tempo, sendo aquele que funde, e depois teima em separar.
O hoje.
O hoje que faz a memória, e faz do ser algo não apenas material.
Para contar, é necessário ter amado ao mar, aos deuses, aos dedos e aos pontos.
Mas, sobretudo, ao silencio.
Têm de se criar dois personagens [ou três, ou trinta], onde um lado é o que se pensa ser,
E o outro é o que se pensa possuir [ou libertar]
Um afago, uma ajuda, e uma grande idéia, para poder acalmar o velho questionamento a respeito de existir;
Tem de se ser, obstinado, fatalista, encarcerado em si.
E respirar fundo antes de dizer “Era uma vez”.
Ao mesmo minuto, que se há de ser leve, como a vez em que se deram às mãos, e os olhinhos se tornando pequenos, e o mundo ainda que feroz, transmutou-se em música.
E não são, para essa história, necessárias palavras.
Apenas o que encerra em cada um, quando os pontos de visão entrecruzados, do começo ao fim, nos repetem “Era uma vez”,
e silêncio.



era uma vez,e umas noites e ainda suspirando e fim.

M.Milza

quinta-feira, 17 de março de 2011

Eternos dias de convivência fraca, de frases pra ocupar espaços vagos.
O treino constante de palavras, nessa sociedade pacificamente inerte.
A idéia, marketing. A palavra, status.
Quando se quebra todo o conceito, perde-se o rumo.
De tantas idéias perdeu-se a forma.
“O homem é seus atos” o que tenho sido?
Olhares não me dizem, palavras não me convencem.
a própria critica tornou-se alvo, a diferença tornou-se venda, um esquema de felicidade inalcançável.
(Talvez seja só felicidade.).
Sinceridade não; tudo um jogo.
Eternamente grata por ser estúpida.
Minhas palavras já não são. Já não me bastam.
A presença humana a certo me incomoda.
não tem importância; Porque ninguém me lê, ninguém me sabe.
Não, eu não sou infeliz, pois não acredito na felicidade.
Só estou aqui. Minha presença: “uma infinidade de hojes”.
E estarei aqui mesmo na hora do meu descanso, em cada pessoa em que eu já existi!
Mesmo naquelas em que fiz questão de não estar mais.
Esse bicho estranho me comove, me enoja, olho indiferente.
Sabendo ser igual.
Que se preocupa mais com autodefinição .
Que não se vê, não se vive.
A vida já acabou em nós há tanto tempo...
De todos os dias o que resta? que esse instante te lembra, qual é a diferença?
Não, não sou pessimista, realista, nem nenhum, absolutamente nenhum adjetivo.
Minha língua não me conhece!
Teatrinho de convivência...
Conveniência.
Absolutamente, não penso com objetividade.
(...).
A minha vida passou.
.
.
A minha vida passou.


Milza
2006.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Como e perversa a juventude do meu coraçao

possuir um sentido é calar.

tao emarranhada dessas historias.
Dessas pequenas tristezas
Mas o fato, o fato em si nunca e triste,
e fato somente,
e e isso que sou,
nem bom nem ruim, a chuva continua, a
ida continua
indo.
as lagrimas o vidro as maes,
sao palavras sendo em mim, e sabe
nao importa,
ou importa tanto que o silencio basta.

eu te daria a mao la , pra te mostrar que entendo tanto,
mas e sozinhas que deveremos lembrar
e rir
de tudo
isso.



marianaMilza, em dia chuvoso, e sem acentos.