"Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação."
Clarice L.
Esse trecho é exatamente o que eu precisava pra tentar me entender, ao menos agora.
Aproveitar e me desculpar por não postar textos de minha autoria, porque sabe como é.. a falta de tempo me consome.
L.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Uneasiness
"But how tell an undefinable uneasiness, variable as the clouds, unstable as the winds? Words failed her - the opportunity, the courage." Gustave Flaubert em Madame Bovary
"Life is either a daring adventure or nothing" Hellen Keller
Frases que me tocaram essa semana. Uma que define momentos tão bem e uma que me fez pensar... ansiosamente... em mudança.
Espero que gostem.
M.
"Life is either a daring adventure or nothing" Hellen Keller
Frases que me tocaram essa semana. Uma que define momentos tão bem e uma que me fez pensar... ansiosamente... em mudança.
Espero que gostem.
M.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Notas de um velho Safado
Um cocainômano, alcoólatra sem muito o que dizer. "
tenho de discordar, cordialmente.
gosto de Bukowski, por seu dom de transcrever-se,com todo seu talento, de ser -absurdamente- humano. E não disfarçar-se com panos, flores, métrica, sentido e uma cara de poeta.
O puto não tem cara de poeta.
Isso me fez remoer a necessidade -obrigatoriedade- que todos temos de nos mostrar.
Mostrar o que somos, para tentar gravar em nos, o que somos.
o post é grande, o texto é dele. vale a pena ler.
Das 5 irmãs, Cass era a mais moça e a mais bela. E a mais linda mulher da cidade. Mestiça de índia, de corpo flexível, estranho, sinuoso que nem cobra e fogoso como os olhos: um fogaréu vivo ambulante. Espírito impaciente para romper o molde incapaz de retê-lo. Os cabelos pretos, longos e sedosos, ondulavam e balançavam ao andar. Sempre muito animada ou então deprimida, com Cass não havia esse negócio de meio termo. Segundo alguns, era louca. Opinião de apáticos. Que jamais poderiam compreendê-la. Para os homens, parecia apenas uma máquina de fazer sexo e pouco estavam ligando para a possibilidade de que fosse maluca. E passava a vida a dançar, a namorar e beijar. Mas, salvo raras exceções, na hora agá sempre encontrava forma de sumir e deixar todo mundo na mão.
As irmãs a acusavam de desperdiçar sua beleza, de falta de tino; só que Cass não era boba e sabia muito bem o que queria: pintava, dançava, cantava, dedicava-se a trabalhos de argila e, quando alguém se feria, na carne ou no espírito, a pena que sentia era uma coisa vinda do fundo da alma. A mentalidade é que simplesmente destoava das demais: nada tinha de prática. Quando seus namorados ficavam atraídos por ela, as irmãs se enciumavam e se enfureciam, achando que não sabia aproveitá-los como mereciam. Costumava mostrar-se boazinha com os feios e revoltava-se contra os considerados bonitos — “uns frouxos”, dizia, “sem graça nenhuma. Pensam que basta ter orelhinhas perfeitas e nariz bem modelado… Tudo por fora e nada por dentro…” Quando perdia a paciência, chegava às raias da loucura; tinha um gênio que alguns qualificavam de insanidade mental.
O pai havia morrido alcoólatra e a mãe fugira de casa, abandonando as filhas. As meninas procuraram um parente, que resolveu interná-las num convento. Experiência nada interessante, sobretudo para Cass. As colegas eram muito ciumentas e teve que brigar com a maioria. Trazia marcas de lâmina de gilete por todo o braço esquerdo, de tanto se defender durante suas brigas. Guardava, inclusive, uma cicatriz indelével na face esquerda, que em vez de empanar-lhe a beleza, só servia para realçá-la.
Conheci Cass uma noite no West End Bar, Fazia vários dias que tinha saído do convento. Por ser a caçula entre as irmãs, fora a última a sair. Simplesmente entrou e sentou do meu lado. Eu era provavelmente o homem mais feio da cidade — o que bem pode ter contribuído.
— Quer um drinque? — perguntei.
— Claro, por que não?
Não creio que houvesse nada de especial na conversa que tivemos essa noite. Foi mais a impressão que causava. Tinha me escolhido e ponto final. Sem a menor coação. Gostou da bebida e tomou varias doses. Não parecia ser de maior idade, mas, não sei como, ninguém se recusava a servi-la. Talvez tivesse carteira de identidade falsa, sei lá. O certo é que toda vez que voltava do toalete para sentar do meu lado, me dava uma pontada de orgulho. Não só era a mais linda mulher da cidade como também das mais belas que vi em toda minha vida. Passei-lhe o braço pela cintura e dei-lhe um beijo.
— Me acha bonita? — perguntou.
— Lógico que acho, mas não é só isso… é mais que uma simples questão de beleza…
— As pessoas sempre me acusam de ser bonita. Acha mesmo que eu sou?
— Bonita não é bem o termo, e nem te faz justiça.
Cass meteu a mão na bolsa. Julguei que estivesse procurando um lenço. Mas tirou um longo grampo de chapéu. Antes que pudesse impedir, já tinha espetado o tal grampo, de lado, na ponta do nariz. Senti asco e horror.
Ela me olhou e riu.
— E agora, ainda me acha bonita? O que é que você acha agora, cara?
Puxei o grampo, estancando o sangue com o lenço que trazia no bolso. Diversas pessoas, inclusive o sujeito que atendia no balcão, tinham assistido a cena. Ele veio até a mesa:
— Olha — disse para Cass, — se fizer isso de novo, vai ter que dar o fora. Aqui ninguém gosta de drama.
— Ah, vai te foder, cara!
— É melhor não dar mais bebida pra ela — aconselhou o sujeito.
— Não tem perigo — prometi.
— O nariz é meu — protestou Cass, — faço dele o que bem entendo.
— Não faz, não — retruquei, — porque isso me dói.
— Quer dizer que eu cravo o grampo no nariz e você é que sente dor?
— Sinto, sim. Palavra.
— Está bem, pode deixar que eu não cravo mais. Fica sossegado.
Me beijou, ainda sorrindo e com o lenço encostado no nariz. Na hora de fechar o bar, fomos para onde eu morava. Tinha um pouco de cerveja na geladeira e ficamos lá sentados, conversando. E só então percebi que estava diante de uma criatura cheia de delicadeza e carinho. Que se traia sem se dar conta. Ao mesmo tempo que se encolhia numa mistura de insensatez e incoerência. Uma verdadeira preciosidade. Uma jóia, linda e espiritual. Talvez algum homem, uma coisa qualquer, um dia a destruísse para sempre. Fiquei torcendo para que não fosse eu.
Deitamos na cama e, depois que apaguei a luz, Cass perguntou:
— Quando é que você quer transar? Agora ou amanhã de manhã?
— Amanhã de manhã — respondi, — virando de costas pra ela.
No dia seguinte me levantei e fiz dois cafés. Levei o dela na cama.
Deu uma risada.
— Você é o primeiro homem que conheço que não quis transar de noite.
— Deixa pra lá — retruquei, — a gente nem precisa disso.
— Não, pára aí, agora me deu vontade. Espera um pouco que não demoro.
Foi até o banheiro e voltou em seguida, com uma aparência simplesmente sensacional — os longos cabelos pretos brilhando, os olhos e a boca brilhando, aquilo brilhando… Mostrava o corpo com calma, como a coisa boa que era. Meteu-se em baixo do lençol.
— Vem de uma vez, gostosão.
Deitei na cama.
Beijava com entrega, mas sem se afobar. Passei-lhe as mãos pelo corpo todo, por entre os cabelos. Fui por cima. Era quente e apertada. Comecei a meter devagar, compassadamente, não querendo acabar logo. Os olhos dela encaravam, fixos, os meus.
— Qual é o teu nome? — perguntei.
— Porra, que diferença faz? — replicou.
Ri e continuei metendo. Mais tarde se vestiu e levei-a de carro de novo para o bar. Mas não foi nada fácil esquecê-la. Eu não andava trabalhando e dormi até às 2 da tarde. Depois levantei e li o jornal. Estava na banheira quando ela entrou com uma folhagem grande na mão — uma folha de inhame.
— Sabia que ia te encontrar no banho — disse, — por isso trouxe isto aqui pra cobrir esse teu troço aí, seu nudista.
E atirou a folha de inhame dentro da banheira.
— Como adivinhou que eu estava aqui?
— Adivinhando, ora.
Chegava quase sempre quando eu estava tomando banho. O horário podia variar, mas Cass raramente se enganava. E tinha todos os dias a folha de inhame. Depois a gente trepava.
Houve uma ou duas noites em que telefonou e tive que ir pagar a fiança para livrá-la da detenção por embriaguez ou desordem.
— Esses filhos da puta — disse ela, — só porque pagam umas biritas pensam que são donos da gente.
— Quem topa o convite já está comprando barulho.
— Imaginei que estivessem interessados em mim e não apenas no meu corpo.
— Eu estou interessado em você e também no seu corpo. Mas duvido muito que a maioria não se contente com o corpo.
Me ausentei seis meses da cidade, vagabundeei um pouco e acabei voltando. Não esqueci Cass, mas a gente havia discutido por algum motivo qualquer e me deu vontade de zanzar por aí. Quando cheguei, supus que tivesse sumido, mas nem fazia meia hora que estava sentado no West End Bar quando entrou e veio sentar do meu lado.
— Como é, seu sacana, pelo que vejo já voltou.
Pedi bebida para ela. Depois olhei. Estava com um vestido de gola fechada. Cass jamais tinha andado com um traje desses. E logo abaixo de cada olheira, espetados, havia dois grampos com ponta de vidro. Só dava para ver as pontas, mas os grampos, virados para baixo, estavam enterrados na carne do rosto.
— Porra, ainda não desistiu de estragar sua beleza?
— Que nada, seu bobo, agora é moda.
— Pirou de vez.
— Sabe que sinto saudade — comentou.
— Não tem mais ninguém no pedaço?
— Não, só você. Mas agora resolvi dar uma de puta. Cobro dez pratas. Pra você, porém, é de graça.
— Tira esses grampos daí.
— Negativo. É moda.
— Estão me deixando chateado.
— Tem certeza?
— Claro que tenho, pô.
Cass tirou os grampos devagar e guardou na bolsa.
— Por que é que faz tanta questão de esculhambar o teu rosto? — perguntei. — Quando vai se conformar com a idéia de ser bonita?
— Quando as pessoas pararem de pensar que é a única coisa que eu sou. Beleza não vale nada e depois não dura. Você nem sabe a sorte que tem de ser feio. Assim, quando alguém simpatiza contigo, já sabe que é por outra razão.
— Então tá. Sorte minha, né?
— Não que você seja feio. Os outros é que acham. Até que a tua cara é bacana.
— Muito obrigado.
Tomamos outro drinque.
— O que anda fazendo? — perguntou.
— Nada. Não há jeito de me interessar por coisa alguma. Falta de ânimo.
— Eu também. Se fosse mulher, podia ser puta.
— Acho que não ia gostar de um contato tão íntimo com tantos caras desconhecidos. Acaba enchendo.
— Puro fato, acaba enchendo mesmo. Tudo acaba enchendo.
Saímos juntos do bar. Na rua as pessoas ainda se espantavam com Cass. Continuava linda, talvez mais do que antes.
Fomos para o meu endereço. Abri uma garrafa de vinho e ficamos batendo papo. Entre nós dois a conversa sempre fluía espontânea. Ela falava um pouco, eu prestava atenção, e depois chegava a minha vez. Nosso diálogo era sempre assim, simples, sem esforço nenhum. Parecia que tínhamos segredos em comum. Quando se descobria um que valesse a pena, Cass dava aquela risada — da maneira que só ela sabia dar. Era como a alegria provocada por uma fogueira. Enquanto conversávamos, fomos nos beijando e aproximando cada vez mais. Ficamos com tesão e resolvemos ir para a cama, Foi então que Cass tirou o vestido de gola fechada e vi a horrenda cicatriz irregular no pescoço — grande e saliente.
— Puta que pariu, criatura — exclamei, já deitado. — Puta que pariu. Como é que você foi me fazer uma coisa dessas?
— Experimentei uma noite, com um caco de garrafa. Não gosta mais de mim? Deixei de ser bonita?
Puxei-a para a cama e dei-lhe um beijo na boca. Me empurrou para trás e riu.
— Tem homens que me pagam as dez pratas, aí tiro a roupa e desistem
de transar. E eu guardo o dinheiro pra mim. É engraçadíssimo.
— Se é — retruquei, — estou quase morrendo de tanto rir… Cass, sua cretina, eu amo você… mas pára com esse negócio de querer se destruir. Você é a mulher mais cheia de vida que já encontrei.
Beijamos de novo. Começou a chorar baixinho. Sentia-lhe as lágrimas no rosto. Aqueles longos cabelos pretos me cobriam as costas feito mortalha. Colamos os corpos e começamos a trepar, lenta, sombria e maravilhosamente bem.
Na manhã seguinte acordei com Cass já em pé, preparando o café. Dava a impressão de estar perfeitamente calma e feliz. Até cantarolava. Fiquei ali deitado, contente com a felicidade dela. Por fim veio até a cama e me sacudiu.
— Levanta, cafajeste! Joga um pouco de água fria nessa cara e nessa pica e vem participar da festa!
Naquele dia convidei-a para ir à praia de carro. Como estávamos na metade da semana e o verão ainda não tinha chegado, encontramos tudo maravilhosamente deserto. Ratos de praia, com a roupa em farrapos, dormiam espalhados pelo gramado longe da areia. Outros, sentados em bancos de pedra, dividiam uma garrafa de bebida tristonha. Gaivotas esvoaçavam no ar, descuidadas e no entanto aturdidas. Velhinhas de seus 70 ou 80 anos, lado a lado nos bancos, comentavam a venda de imóveis herdados de maridos mortos há muito tempo, vitimados pelo ritmo e estupidez da sobrevivência. Por causa de tudo isso, respirava-se uma atmosfera de paz e ficamos andando, para cima e para baixo, deitando e espreguiçando-nos na relva, sem falar quase nada. Com aquela sensação simplesmente gostosa de estar juntos. Comprei sanduíches, batata frita e uns copos de bebida e nos deixamos ficar sentados, comendo na areia. Depois me abracei a Cass e dormimos encostados um no outro durante quase uma hora. Não sei por quê, mas foi melhor do que se tivessemos transado. Quando acordamos, voltamos de carro para onde eu morava e fiz o jantar. Jantamos e sugeri que fossemos para a cama. Cass hesitou um bocado de tempo, me olhando, e ao respondeu, pensativa:
— Não.
Levei-a outra vez até o bar, paguei-lhe um drinque e vim-me embora. No dia seguinte encontrei serviço como empacotador numa fábrica e passei o resto da semana trabalhando. Andava cansado demais para cogitar de sair à noite, mas naquela sexta-feira acabei indo ao West End Bar. Sentei e esperei por Cass. Passaram-se horas. Depois que já estava bastante bêbado, o sujeito que atendia no balcão me disse:
— Uma pena o que houve com sua amiga.
— Pena por quê? — estranhei.
— Desculpe. Pensei que soubesse.
— Não.
— Se suicidou. Foi enterrada ontem.
— Enterrada? — repeti.
Estava com a sensação de que ela ia entrar a qualquer momento pela porta da rua. Como poderia estar morta?
— Sim, pelas irmãs.
— Se suicidou? Pode-se saber de que modo?
— Cortou a garganta.
— Ah. Me dá outra dose.
Bebi até a hora de fechar. Cass, a mais bela das 5 irmãs, a mais linda mulher da cidade. Consegui ir dirigindo até onde morava. Não parava de pensar. Deveria ter insistido para que ficasse comigo em vez de aceitar aquele “não”. Todo o seu jeito era de quem gostava de mim. Eu é que simplesmente tinha bancado o durão, decerto por preguiça, por ser desligado demais. Merecia a minha morte e a dela. Era um cão. Não, para que pôr a culpa nos cães? Levantei, encontrei uma garrafa de vinho e bebi quase inteira. Cass, a garota mais linda da cidade, morta aos vinte anos.
Lá fora, na rua, alguém buzinou dentro de um carro. Uma buzina fortíssima, insistente. Bati a garrafa com força e gritei:
— MERDA! PÁRA COM ISSO, SEU FILHO DA PUTA!
A noite foi ficando cada vez mais escura e eu não podia fazer mais nada.
charles bukowski
tenho de discordar, cordialmente.
gosto de Bukowski, por seu dom de transcrever-se,com todo seu talento, de ser -absurdamente- humano. E não disfarçar-se com panos, flores, métrica, sentido e uma cara de poeta.
O puto não tem cara de poeta.
Isso me fez remoer a necessidade -obrigatoriedade- que todos temos de nos mostrar.
Mostrar o que somos, para tentar gravar em nos, o que somos.
o post é grande, o texto é dele. vale a pena ler.
Das 5 irmãs, Cass era a mais moça e a mais bela. E a mais linda mulher da cidade. Mestiça de índia, de corpo flexível, estranho, sinuoso que nem cobra e fogoso como os olhos: um fogaréu vivo ambulante. Espírito impaciente para romper o molde incapaz de retê-lo. Os cabelos pretos, longos e sedosos, ondulavam e balançavam ao andar. Sempre muito animada ou então deprimida, com Cass não havia esse negócio de meio termo. Segundo alguns, era louca. Opinião de apáticos. Que jamais poderiam compreendê-la. Para os homens, parecia apenas uma máquina de fazer sexo e pouco estavam ligando para a possibilidade de que fosse maluca. E passava a vida a dançar, a namorar e beijar. Mas, salvo raras exceções, na hora agá sempre encontrava forma de sumir e deixar todo mundo na mão.
As irmãs a acusavam de desperdiçar sua beleza, de falta de tino; só que Cass não era boba e sabia muito bem o que queria: pintava, dançava, cantava, dedicava-se a trabalhos de argila e, quando alguém se feria, na carne ou no espírito, a pena que sentia era uma coisa vinda do fundo da alma. A mentalidade é que simplesmente destoava das demais: nada tinha de prática. Quando seus namorados ficavam atraídos por ela, as irmãs se enciumavam e se enfureciam, achando que não sabia aproveitá-los como mereciam. Costumava mostrar-se boazinha com os feios e revoltava-se contra os considerados bonitos — “uns frouxos”, dizia, “sem graça nenhuma. Pensam que basta ter orelhinhas perfeitas e nariz bem modelado… Tudo por fora e nada por dentro…” Quando perdia a paciência, chegava às raias da loucura; tinha um gênio que alguns qualificavam de insanidade mental.
O pai havia morrido alcoólatra e a mãe fugira de casa, abandonando as filhas. As meninas procuraram um parente, que resolveu interná-las num convento. Experiência nada interessante, sobretudo para Cass. As colegas eram muito ciumentas e teve que brigar com a maioria. Trazia marcas de lâmina de gilete por todo o braço esquerdo, de tanto se defender durante suas brigas. Guardava, inclusive, uma cicatriz indelével na face esquerda, que em vez de empanar-lhe a beleza, só servia para realçá-la.
Conheci Cass uma noite no West End Bar, Fazia vários dias que tinha saído do convento. Por ser a caçula entre as irmãs, fora a última a sair. Simplesmente entrou e sentou do meu lado. Eu era provavelmente o homem mais feio da cidade — o que bem pode ter contribuído.
— Quer um drinque? — perguntei.
— Claro, por que não?
Não creio que houvesse nada de especial na conversa que tivemos essa noite. Foi mais a impressão que causava. Tinha me escolhido e ponto final. Sem a menor coação. Gostou da bebida e tomou varias doses. Não parecia ser de maior idade, mas, não sei como, ninguém se recusava a servi-la. Talvez tivesse carteira de identidade falsa, sei lá. O certo é que toda vez que voltava do toalete para sentar do meu lado, me dava uma pontada de orgulho. Não só era a mais linda mulher da cidade como também das mais belas que vi em toda minha vida. Passei-lhe o braço pela cintura e dei-lhe um beijo.
— Me acha bonita? — perguntou.
— Lógico que acho, mas não é só isso… é mais que uma simples questão de beleza…
— As pessoas sempre me acusam de ser bonita. Acha mesmo que eu sou?
— Bonita não é bem o termo, e nem te faz justiça.
Cass meteu a mão na bolsa. Julguei que estivesse procurando um lenço. Mas tirou um longo grampo de chapéu. Antes que pudesse impedir, já tinha espetado o tal grampo, de lado, na ponta do nariz. Senti asco e horror.
Ela me olhou e riu.
— E agora, ainda me acha bonita? O que é que você acha agora, cara?
Puxei o grampo, estancando o sangue com o lenço que trazia no bolso. Diversas pessoas, inclusive o sujeito que atendia no balcão, tinham assistido a cena. Ele veio até a mesa:
— Olha — disse para Cass, — se fizer isso de novo, vai ter que dar o fora. Aqui ninguém gosta de drama.
— Ah, vai te foder, cara!
— É melhor não dar mais bebida pra ela — aconselhou o sujeito.
— Não tem perigo — prometi.
— O nariz é meu — protestou Cass, — faço dele o que bem entendo.
— Não faz, não — retruquei, — porque isso me dói.
— Quer dizer que eu cravo o grampo no nariz e você é que sente dor?
— Sinto, sim. Palavra.
— Está bem, pode deixar que eu não cravo mais. Fica sossegado.
Me beijou, ainda sorrindo e com o lenço encostado no nariz. Na hora de fechar o bar, fomos para onde eu morava. Tinha um pouco de cerveja na geladeira e ficamos lá sentados, conversando. E só então percebi que estava diante de uma criatura cheia de delicadeza e carinho. Que se traia sem se dar conta. Ao mesmo tempo que se encolhia numa mistura de insensatez e incoerência. Uma verdadeira preciosidade. Uma jóia, linda e espiritual. Talvez algum homem, uma coisa qualquer, um dia a destruísse para sempre. Fiquei torcendo para que não fosse eu.
Deitamos na cama e, depois que apaguei a luz, Cass perguntou:
— Quando é que você quer transar? Agora ou amanhã de manhã?
— Amanhã de manhã — respondi, — virando de costas pra ela.
No dia seguinte me levantei e fiz dois cafés. Levei o dela na cama.
Deu uma risada.
— Você é o primeiro homem que conheço que não quis transar de noite.
— Deixa pra lá — retruquei, — a gente nem precisa disso.
— Não, pára aí, agora me deu vontade. Espera um pouco que não demoro.
Foi até o banheiro e voltou em seguida, com uma aparência simplesmente sensacional — os longos cabelos pretos brilhando, os olhos e a boca brilhando, aquilo brilhando… Mostrava o corpo com calma, como a coisa boa que era. Meteu-se em baixo do lençol.
— Vem de uma vez, gostosão.
Deitei na cama.
Beijava com entrega, mas sem se afobar. Passei-lhe as mãos pelo corpo todo, por entre os cabelos. Fui por cima. Era quente e apertada. Comecei a meter devagar, compassadamente, não querendo acabar logo. Os olhos dela encaravam, fixos, os meus.
— Qual é o teu nome? — perguntei.
— Porra, que diferença faz? — replicou.
Ri e continuei metendo. Mais tarde se vestiu e levei-a de carro de novo para o bar. Mas não foi nada fácil esquecê-la. Eu não andava trabalhando e dormi até às 2 da tarde. Depois levantei e li o jornal. Estava na banheira quando ela entrou com uma folhagem grande na mão — uma folha de inhame.
— Sabia que ia te encontrar no banho — disse, — por isso trouxe isto aqui pra cobrir esse teu troço aí, seu nudista.
E atirou a folha de inhame dentro da banheira.
— Como adivinhou que eu estava aqui?
— Adivinhando, ora.
Chegava quase sempre quando eu estava tomando banho. O horário podia variar, mas Cass raramente se enganava. E tinha todos os dias a folha de inhame. Depois a gente trepava.
Houve uma ou duas noites em que telefonou e tive que ir pagar a fiança para livrá-la da detenção por embriaguez ou desordem.
— Esses filhos da puta — disse ela, — só porque pagam umas biritas pensam que são donos da gente.
— Quem topa o convite já está comprando barulho.
— Imaginei que estivessem interessados em mim e não apenas no meu corpo.
— Eu estou interessado em você e também no seu corpo. Mas duvido muito que a maioria não se contente com o corpo.
Me ausentei seis meses da cidade, vagabundeei um pouco e acabei voltando. Não esqueci Cass, mas a gente havia discutido por algum motivo qualquer e me deu vontade de zanzar por aí. Quando cheguei, supus que tivesse sumido, mas nem fazia meia hora que estava sentado no West End Bar quando entrou e veio sentar do meu lado.
— Como é, seu sacana, pelo que vejo já voltou.
Pedi bebida para ela. Depois olhei. Estava com um vestido de gola fechada. Cass jamais tinha andado com um traje desses. E logo abaixo de cada olheira, espetados, havia dois grampos com ponta de vidro. Só dava para ver as pontas, mas os grampos, virados para baixo, estavam enterrados na carne do rosto.
— Porra, ainda não desistiu de estragar sua beleza?
— Que nada, seu bobo, agora é moda.
— Pirou de vez.
— Sabe que sinto saudade — comentou.
— Não tem mais ninguém no pedaço?
— Não, só você. Mas agora resolvi dar uma de puta. Cobro dez pratas. Pra você, porém, é de graça.
— Tira esses grampos daí.
— Negativo. É moda.
— Estão me deixando chateado.
— Tem certeza?
— Claro que tenho, pô.
Cass tirou os grampos devagar e guardou na bolsa.
— Por que é que faz tanta questão de esculhambar o teu rosto? — perguntei. — Quando vai se conformar com a idéia de ser bonita?
— Quando as pessoas pararem de pensar que é a única coisa que eu sou. Beleza não vale nada e depois não dura. Você nem sabe a sorte que tem de ser feio. Assim, quando alguém simpatiza contigo, já sabe que é por outra razão.
— Então tá. Sorte minha, né?
— Não que você seja feio. Os outros é que acham. Até que a tua cara é bacana.
— Muito obrigado.
Tomamos outro drinque.
— O que anda fazendo? — perguntou.
— Nada. Não há jeito de me interessar por coisa alguma. Falta de ânimo.
— Eu também. Se fosse mulher, podia ser puta.
— Acho que não ia gostar de um contato tão íntimo com tantos caras desconhecidos. Acaba enchendo.
— Puro fato, acaba enchendo mesmo. Tudo acaba enchendo.
Saímos juntos do bar. Na rua as pessoas ainda se espantavam com Cass. Continuava linda, talvez mais do que antes.
Fomos para o meu endereço. Abri uma garrafa de vinho e ficamos batendo papo. Entre nós dois a conversa sempre fluía espontânea. Ela falava um pouco, eu prestava atenção, e depois chegava a minha vez. Nosso diálogo era sempre assim, simples, sem esforço nenhum. Parecia que tínhamos segredos em comum. Quando se descobria um que valesse a pena, Cass dava aquela risada — da maneira que só ela sabia dar. Era como a alegria provocada por uma fogueira. Enquanto conversávamos, fomos nos beijando e aproximando cada vez mais. Ficamos com tesão e resolvemos ir para a cama, Foi então que Cass tirou o vestido de gola fechada e vi a horrenda cicatriz irregular no pescoço — grande e saliente.
— Puta que pariu, criatura — exclamei, já deitado. — Puta que pariu. Como é que você foi me fazer uma coisa dessas?
— Experimentei uma noite, com um caco de garrafa. Não gosta mais de mim? Deixei de ser bonita?
Puxei-a para a cama e dei-lhe um beijo na boca. Me empurrou para trás e riu.
— Tem homens que me pagam as dez pratas, aí tiro a roupa e desistem
de transar. E eu guardo o dinheiro pra mim. É engraçadíssimo.
— Se é — retruquei, — estou quase morrendo de tanto rir… Cass, sua cretina, eu amo você… mas pára com esse negócio de querer se destruir. Você é a mulher mais cheia de vida que já encontrei.
Beijamos de novo. Começou a chorar baixinho. Sentia-lhe as lágrimas no rosto. Aqueles longos cabelos pretos me cobriam as costas feito mortalha. Colamos os corpos e começamos a trepar, lenta, sombria e maravilhosamente bem.
Na manhã seguinte acordei com Cass já em pé, preparando o café. Dava a impressão de estar perfeitamente calma e feliz. Até cantarolava. Fiquei ali deitado, contente com a felicidade dela. Por fim veio até a cama e me sacudiu.
— Levanta, cafajeste! Joga um pouco de água fria nessa cara e nessa pica e vem participar da festa!
Naquele dia convidei-a para ir à praia de carro. Como estávamos na metade da semana e o verão ainda não tinha chegado, encontramos tudo maravilhosamente deserto. Ratos de praia, com a roupa em farrapos, dormiam espalhados pelo gramado longe da areia. Outros, sentados em bancos de pedra, dividiam uma garrafa de bebida tristonha. Gaivotas esvoaçavam no ar, descuidadas e no entanto aturdidas. Velhinhas de seus 70 ou 80 anos, lado a lado nos bancos, comentavam a venda de imóveis herdados de maridos mortos há muito tempo, vitimados pelo ritmo e estupidez da sobrevivência. Por causa de tudo isso, respirava-se uma atmosfera de paz e ficamos andando, para cima e para baixo, deitando e espreguiçando-nos na relva, sem falar quase nada. Com aquela sensação simplesmente gostosa de estar juntos. Comprei sanduíches, batata frita e uns copos de bebida e nos deixamos ficar sentados, comendo na areia. Depois me abracei a Cass e dormimos encostados um no outro durante quase uma hora. Não sei por quê, mas foi melhor do que se tivessemos transado. Quando acordamos, voltamos de carro para onde eu morava e fiz o jantar. Jantamos e sugeri que fossemos para a cama. Cass hesitou um bocado de tempo, me olhando, e ao respondeu, pensativa:
— Não.
Levei-a outra vez até o bar, paguei-lhe um drinque e vim-me embora. No dia seguinte encontrei serviço como empacotador numa fábrica e passei o resto da semana trabalhando. Andava cansado demais para cogitar de sair à noite, mas naquela sexta-feira acabei indo ao West End Bar. Sentei e esperei por Cass. Passaram-se horas. Depois que já estava bastante bêbado, o sujeito que atendia no balcão me disse:
— Uma pena o que houve com sua amiga.
— Pena por quê? — estranhei.
— Desculpe. Pensei que soubesse.
— Não.
— Se suicidou. Foi enterrada ontem.
— Enterrada? — repeti.
Estava com a sensação de que ela ia entrar a qualquer momento pela porta da rua. Como poderia estar morta?
— Sim, pelas irmãs.
— Se suicidou? Pode-se saber de que modo?
— Cortou a garganta.
— Ah. Me dá outra dose.
Bebi até a hora de fechar. Cass, a mais bela das 5 irmãs, a mais linda mulher da cidade. Consegui ir dirigindo até onde morava. Não parava de pensar. Deveria ter insistido para que ficasse comigo em vez de aceitar aquele “não”. Todo o seu jeito era de quem gostava de mim. Eu é que simplesmente tinha bancado o durão, decerto por preguiça, por ser desligado demais. Merecia a minha morte e a dela. Era um cão. Não, para que pôr a culpa nos cães? Levantei, encontrei uma garrafa de vinho e bebi quase inteira. Cass, a garota mais linda da cidade, morta aos vinte anos.
Lá fora, na rua, alguém buzinou dentro de um carro. Uma buzina fortíssima, insistente. Bati a garrafa com força e gritei:
— MERDA! PÁRA COM ISSO, SEU FILHO DA PUTA!
A noite foi ficando cada vez mais escura e eu não podia fazer mais nada.
charles bukowski
terça-feira, 17 de agosto de 2010
"Gosta que a dança seja, e que ela seja parte de algo,
Não só porque o corpo almeja, mas porque sabe.
Os cabelos pretos fazem blues.
A musica nos pés faz a noite parecer um sonho,
É, gosta de esquecer quanto custam as pessoas.
O olhar, quando a musica toca, torna tudo divino.
Gosta que a musica seja, e que ela seja parte de algo.
A moça lhe disse ... os pássaros estavam na calçada,
O vento fez as palavras e os pássaros voarem,
A canção dizia pra ficar tranqüila,
O sol vai te tornar livre
E ninguém pode deter o sol, pequena”
A canção dizia que a chuva também limpa almas,
E que ninguém deve perder sua alma.
A noite parecia um sonho.
Gosta que a noite seja, e que ela seja parte de algo.
As vezes se sentir sozinha é necessário,
Pra poder ouvir agora “tudo ficará bem pequena”"
terça feira e céu azul,e eu sei que dói," um fluxo ardente e desnecessário", eu sei.
mas há de crescer em ti um espírito mais forte pequena.
M. Milza
Não só porque o corpo almeja, mas porque sabe.
Os cabelos pretos fazem blues.
A musica nos pés faz a noite parecer um sonho,
É, gosta de esquecer quanto custam as pessoas.
O olhar, quando a musica toca, torna tudo divino.
Gosta que a musica seja, e que ela seja parte de algo.
A moça lhe disse ... os pássaros estavam na calçada,
O vento fez as palavras e os pássaros voarem,
A canção dizia pra ficar tranqüila,
O sol vai te tornar livre
E ninguém pode deter o sol, pequena”
A canção dizia que a chuva também limpa almas,
E que ninguém deve perder sua alma.
A noite parecia um sonho.
Gosta que a noite seja, e que ela seja parte de algo.
As vezes se sentir sozinha é necessário,
Pra poder ouvir agora “tudo ficará bem pequena”"
terça feira e céu azul,e eu sei que dói," um fluxo ardente e desnecessário", eu sei.
mas há de crescer em ti um espírito mais forte pequena.
M. Milza
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Expectativas e arco-íris...
Sejamos sinceros... todos vivemos em função de expectativas, expectativas dos pais, dos familiares, dos amigos, dos colegas, dos chefes e, principalmente, das nossas próprias expectativas sobre quem pensamos que somos ou os personagens que construímos para nós mesmos. Não minta pra si, admita, você é assim também, ninguém precisa ficar sabendo.
O problema é que expectativas são como arco-íris, quando parecemos finalmente atingi-los, já se moveram mais à frente.
O funcionário esforçado, trabalhador, o que recebe?... admiração talvez, um salário melhor raramente, a inveja dos colegas ou , quem sabe, uma demissão pois o chefe se sente ameaçado. Com certeza uma carga maior de trabalho, afinal “aquele ali dá conta”.
O estudante diligente recebe um 10... :“Nada de mais, já esperávamos isso dele, mas ele realmente tem que começar a praticar esportes, desenvolver uma vida social...”, dizem as más línguas, “é que ele tem facilidade”. O estudante medíocre diz: “é um nerd” e tira um 7: “Meu Deus! Que avanço! Vamos pôr o boletim na geladeira. Temos que estimulá-lo!”
O filho zeloso comete um pequeno deslize “que horror!, como ele pôde!”. O filho folgado do vizinho comete um mesmo deslize... ninguém nem nota.
E a cada grau de expectativas atingido, sobe a margem para críticas.E se no fim, o esforçado, o diligente, o zeloso não consegue atingir as cada vez mais altas expectativas: “Que pena! Que decepção! Sempre achei que ele seria capaz de ir mais longe” e o medíocre atinge o grau um de expectativa “ Que ótimo! Ele foi bem mais longe do que qualquer um de nós poderia esperar!”.
Talvez seja esse o segredo da felicidade, viver sem o peso das expectativas, sem o peso do mundo nas costas de Atlas sobre nós. Mas como?
Desculpem o amargor, deve ser a TPM falando mais alto diante da ausência de chocolates... sempre é.
M.
O problema é que expectativas são como arco-íris, quando parecemos finalmente atingi-los, já se moveram mais à frente.
O funcionário esforçado, trabalhador, o que recebe?... admiração talvez, um salário melhor raramente, a inveja dos colegas ou , quem sabe, uma demissão pois o chefe se sente ameaçado. Com certeza uma carga maior de trabalho, afinal “aquele ali dá conta”.
O estudante diligente recebe um 10... :“Nada de mais, já esperávamos isso dele, mas ele realmente tem que começar a praticar esportes, desenvolver uma vida social...”, dizem as más línguas, “é que ele tem facilidade”. O estudante medíocre diz: “é um nerd” e tira um 7: “Meu Deus! Que avanço! Vamos pôr o boletim na geladeira. Temos que estimulá-lo!”
O filho zeloso comete um pequeno deslize “que horror!, como ele pôde!”. O filho folgado do vizinho comete um mesmo deslize... ninguém nem nota.
E a cada grau de expectativas atingido, sobe a margem para críticas.E se no fim, o esforçado, o diligente, o zeloso não consegue atingir as cada vez mais altas expectativas: “Que pena! Que decepção! Sempre achei que ele seria capaz de ir mais longe” e o medíocre atinge o grau um de expectativa “ Que ótimo! Ele foi bem mais longe do que qualquer um de nós poderia esperar!”.
Talvez seja esse o segredo da felicidade, viver sem o peso das expectativas, sem o peso do mundo nas costas de Atlas sobre nós. Mas como?
Desculpem o amargor, deve ser a TPM falando mais alto diante da ausência de chocolates... sempre é.
M.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010

É importante saber, em primeiro . que não sei colocar títulos, que soam normalmente como mascarás tolas...
e que hoje vim por um único motivo, um motivo nobre que vi surgir em mim: a amizade.
para escrever como a amizade com sua força enorme,
arranca de mim toda vilania!
mentira.
quase toda.
Vim, porque tenho de agradecer, logo de inicio por essas duas.
como em oração, pelas horas do dia, que me fez crer não existirem apenas idiotas de sapatos na turma.
que sentimentos não são jogos de interesse.
que se pode sorrir de olhos fechados.
que eu deveria abandonar a idéia dos homicídios.
quase toda vilania.
encerrando os agradecimentos, [um viva e uma mão de confetes ] também pelo "Pequenos Espiões dois, a Ilha dos Sonhos Perdidos", conseguiu com o que é certamente a pior [umas das piores] produções que já vi, hipnotizar minha sobrinha.
que antes discutia comigo a existência de deus, a amanhã lerá veja. Se tudo correr bem.
Viva!
Agora sim...
Começando! estou feliz, em dividir com vocês, esse pedaço de pizza fria, que é o blog.
adoro pizza fria.que seria um otimo titulo.
logo volto.
M. Milza.
Aleatório
Então eu decidi que alguém deveria postar alguma coisa e que como o ultimo post tinha sido da L. e a Mi tá sem internet esse alguém provavelmente deveria ser eu.
Acontece que eu não tinha a menor idéia do que dizer e resolvi adotar uma técnica muito difundida entre escritores (eu ouvi dizer, nunca conversei com escritor algum sobre o assunto). Trata-se da técnica comece a escrever pra conseguir escrever.
Aparentemente não funcionou muito bem, visto que eu ainda não tenho sequer uma idéia sobre o quê falar.
.
.
.
Me faz pensar... Esse blog foi feito com fins puramente de exercício de escrita por
três amigas com idéias muito semelhantes e ao mesmo tempo muito diversas sobre
assuntos em geral. Prometemos escrever o mais frequentemente possível. No entanto, vale a pena escrever quando não se tem nada de tão interessante a se dizer? A única conclusão a que eu posso chegar é que sim. Afinal esse me parece ser o objetivo de um exercício de escrita. E claro! Nos não viemos aqui pra dizer nada pra ninguém mesmo... (dando de ombros).
Esse fim de semana foi o dia dos pais então nós três queremos aproveitar a oportunidade para felicitar todos os papais e agradecer em especial aos nossos que obviamente jamais saberão de tal agradecimento uma vez que não disperdiçam seu precioso tempinho lendo blogs por aí.
Finalmente queria agradecer a visita da minha amiga A. Foi bom ver você mesmo que por tão pouco tempo. Saudades sempre da minha irmã do coração.
É o suficiente de sentimentalismos por hoje. Parece que a técnica aprovada por 9 entre 10 dentistas, digo, escritores não funcionou muito bem.
Beijos, Má
"Her hair reminds me of a warm, safe place where as a child I'd hide"
Acontece que eu não tinha a menor idéia do que dizer e resolvi adotar uma técnica muito difundida entre escritores (eu ouvi dizer, nunca conversei com escritor algum sobre o assunto). Trata-se da técnica comece a escrever pra conseguir escrever.
Aparentemente não funcionou muito bem, visto que eu ainda não tenho sequer uma idéia sobre o quê falar.
.
.
.
Me faz pensar... Esse blog foi feito com fins puramente de exercício de escrita por
três amigas com idéias muito semelhantes e ao mesmo tempo muito diversas sobre
assuntos em geral. Prometemos escrever o mais frequentemente possível. No entanto, vale a pena escrever quando não se tem nada de tão interessante a se dizer? A única conclusão a que eu posso chegar é que sim. Afinal esse me parece ser o objetivo de um exercício de escrita. E claro! Nos não viemos aqui pra dizer nada pra ninguém mesmo... (dando de ombros).
Esse fim de semana foi o dia dos pais então nós três queremos aproveitar a oportunidade para felicitar todos os papais e agradecer em especial aos nossos que obviamente jamais saberão de tal agradecimento uma vez que não disperdiçam seu precioso tempinho lendo blogs por aí.
Finalmente queria agradecer a visita da minha amiga A. Foi bom ver você mesmo que por tão pouco tempo. Saudades sempre da minha irmã do coração.
É o suficiente de sentimentalismos por hoje. Parece que a técnica aprovada por 9 entre 10 dentistas, digo, escritores não funcionou muito bem.
Beijos, Má
"Her hair reminds me of a warm, safe place where as a child I'd hide"
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
A insustentável leveza do ser
"Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça um esboço. No entanto, mesmo "esboço" não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro.
Einmal ist keinmal (em alemão) = uma vez não conta, uma vez é nunca. Não pode viver senão uma vida é como viver nunca."
Esse é um trecho do livro que comecei a ler ontem, "A insustentável leveza do ser". Achei fantástico e o livro parece ser muito perfeito.
Na aula de Civil, anteontem, o professor perguntou "o que é família?". É fácil mas é dificil responder. E a vontade de falar: Ohana é família. Família é nunca abandonar ou esquecer. (né, Barretinha? hahaha)
Assisti uma vez Lilo e Stitch, há um tempo já. Ela é muito fofa. Hm.. saudade.
Alguém sabia que algum dia da semana passada foi "o dia do orgasmo"? Eu não sabia que o orgasmo tinha um dia pra ele. Na verdade por que estipularam tal dia pra esse dia, qual foi o critério de escolha? Enfim.
A gente aprende coisas úteis na faculdade também, como as melhores cantadas de pedreiro:
- Oi, você tem um garfo?
- Não, por que?
- Porque tô dando sopa.
- .. garfo?
- É porque sou difícil.
Tô atrasada pro RPG. Conforme eu for postando, vou colocando o resto das cantadas, que tenho certeza que serão muito úteis pra quem estiver lendo. Se é que alguém vai ler.
Beijos.
L.
Einmal ist keinmal (em alemão) = uma vez não conta, uma vez é nunca. Não pode viver senão uma vida é como viver nunca."
Esse é um trecho do livro que comecei a ler ontem, "A insustentável leveza do ser". Achei fantástico e o livro parece ser muito perfeito.
Na aula de Civil, anteontem, o professor perguntou "o que é família?". É fácil mas é dificil responder. E a vontade de falar: Ohana é família. Família é nunca abandonar ou esquecer. (né, Barretinha? hahaha)
Assisti uma vez Lilo e Stitch, há um tempo já. Ela é muito fofa. Hm.. saudade.
Alguém sabia que algum dia da semana passada foi "o dia do orgasmo"? Eu não sabia que o orgasmo tinha um dia pra ele. Na verdade por que estipularam tal dia pra esse dia, qual foi o critério de escolha? Enfim.
A gente aprende coisas úteis na faculdade também, como as melhores cantadas de pedreiro:
- Oi, você tem um garfo?
- Não, por que?
- Porque tô dando sopa.
- .. garfo?
- É porque sou difícil.
Tô atrasada pro RPG. Conforme eu for postando, vou colocando o resto das cantadas, que tenho certeza que serão muito úteis pra quem estiver lendo. Se é que alguém vai ler.
Beijos.
L.
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