terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Saramago.



não posso acreditar que esperei vinte anos pra ler Saramago.
não tenho o dom das palavras e, pra ser sincera, nem a prática necessária para aperfeiçoa-lo, se o tivesse.
admito sem humildade, no entanto, que tenho a capacidade de admirar quem o tem e, nesse apecto, para mim Saramago tornou-se um símbolo. seu humor irónico, metafórico, disfarçado, os comentários e reflexões ao cotidianos espalhados pelo texto, são pérolas que me dão prazer, mesmo quando discordo dele (na presunção de que possa eu julgar ou discordar de qualquer coisa que Saramago tenha escrito). E isso tudo após a leitura de apenas dois livros: Caim, emprestado, e As Intermitências da morte, comprado.
anseio por ler mais dele.

As Intermitências da morte (assim mesmo, com letra minúscula)... foi o último que li e separei alguns trechos que me tocaram, me falaram ou me divertiram de alguma forma e que ainda assim julguei que não ficariam descontextualizados nem estragariam o prazer de uma primeira leitura que fosse previamente revelada.


aqui estão, espero que gostem:

"Momentos de fraqueza na vida qualquer um os poderá ter, e, se hoje passamos sem eles, tenhamo-los por certo amanhã"

"... as palavras são rótulos que se pegam às cousas, não são as cousas, nunca saberás como são as cousas, nem sequer os nomes que são na realidade os seus, porque os nomes que lhes destes não são mais do que isso, os nomes que lhes destes..."

"...ele (o rebanho humano) se move e se agita em todas as direcções sem perceber que todas elas vão dar ao mesmo destino, que um passo atrás aproximará tanto da morte como um passo em frente, que tudo é igual a tudo porque tudo terá um único fim, esse em que uma parte de ti sempre terá de pensar e que é a marca escura da tua irremediável humanidade."

"... a vida é uma orquestra que sempre está tocando, afinada, desafinada, um paquete titanicque sempre se afunda e sempre volta à superfície..."

"... o que à morte impressionva era ter-lhe parecido ouvir naqueles cinquenta e oito segundos de música (Chopin, opus vinte e cinco, número nove, em sol bemol maior) uma tranposição rítmica e melódica de toda e qualquer vida humana, corrente ou extraordinária, pela sua trágica brevidade, pela sua intensidade desesperada, e também por causa daquele acorde final que era como um ponto de suspensão deixado no ar, no vago, em qualquer parte,como se, irremediavelmente, alguma cousa ainda tivesse ficado por dizer."

sábado, 11 de dezembro de 2010



oi!

hoje, como alguns de vcs sabem, é aniversário de uma d'Elas, a queridíssima e talentosíssima e distantíssima e muitos outros íssimas M.Milza. Na ausência da capacidade da aniversariante de transcedentalmentes transpor sentimentos e idéias que ululam ao nosso redor em palavra escrita, peço licença para utilizar as palavras de um dos talentos admirados por Ela,ligeiramente alteradas pela ocasião,como homenagem

Metade (Oswaldo Montenegro) + alterações minhas...

Que a força do medo que tens
não te impeça de ver o que anseias
que a morte de tudo em que acreditas
não te tape os ouvidos e a boca
porque metade de ti é o que tu gritas
mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouves ao longe
seja linda ainda que tristeza
que o homem que amas seja pra sempre amado
mesmo que distante
porque metade de ti é partida
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que tu falas
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a uma mulher inundada de sentimentos
porque metade de ti é o que ouves
mas a outra metade é o que calas.

Que essa tua vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que mereces
e que essa tensão que te corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de ti é o que pensas
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio contigo mesma se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em teu rosto num doce sorriso
que tu te lembras ter dado na infância
porque metade de ti é a lembrança do que fostes e
a outra metade não sabes.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra te fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio te fale cada vez mais
porque metade de ti é abrigo
mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de ti é platéia
e a outra metade é canção (poesia, prosa, desnho...).

E que a tua loucura seja perdoada
porque metade de ti é amor
e a outra metade também.


Mi... parabéns, saudades d'Ela.

comentem! parabenizem!
M.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

de volta, nos moldes da Nolasco [atequasepertoblogspot], revolta: o que te faz viver de novo, re-voltar.

Estamos de férias,e já sinto falta.



o mar, não se sabe mar,
e por estar cheio, de si, diz-se vazio, ou não se percebe.
você tão cheia de brilho,de vida. você tão cheia de pontos,
você se senta, e remoe de tanta falta. Sempre sem chorar.
e não se consegue decidir a existêcia, ou agarrar o tempo entre dedos.
é que existe muito em você.
é que existe uma alma, uns dias, e risos nessa tua tristeza.
que não é bem tristeza,irmã.

é você, somente.
perdida ai dentro.

mas a beleza é mesmo esse não encontro.
ao som de blues, essa idéia de vitórias as vezes atormenta.
as vezes tormenta.
mas há de ser Mar, até o fim, aquilo que chamamos de fim, pois não creio nisso.
a tua grandeza é mesmo esse mistério.
minha querida,
minha queridíssima menina.
de tanta bondade e crueza,
você ainda não disfarça o teu olhar.
é.
no entanto, somente ser não te contem.

e eu somente quero a brisa marítima.junto ao pôr-de-todos-os-sóis.



e não vou falar de amor,
sim de continuidade,
e admiração.

logo nos vemos.



estou voltando para a casa, a outra casa. Ao som de Nina Simone, Backlash Blues.
M.Milza