Para contar uma história de amor, precisa-se primeiro de um silêncio enorme.
Necessário, um sonhar desmedido, e uma quantidade de palavras cruéis.
Para que seja, é necessária uma parada brusca no meio do olhar e aquele sentimento bom e ruim, que simplesmente cala todas as saudades do mundo.
...E as flores...
Mas, sobretudo, o silêncio.
São indispensáveis os amigos, [de todas as espécies] e o tempo, sendo aquele que funde, e depois teima em separar.
O hoje.
O hoje que faz a memória, e faz do ser algo não apenas material.
Para contar, é necessário ter amado ao mar, aos deuses, aos dedos e aos pontos.
Mas, sobretudo, ao silencio.
Têm de se criar dois personagens [ou três, ou trinta], onde um lado é o que se pensa ser,
E o outro é o que se pensa possuir [ou libertar]
Um afago, uma ajuda, e uma grande idéia, para poder acalmar o velho questionamento a respeito de existir;
Tem de se ser, obstinado, fatalista, encarcerado em si.
E respirar fundo antes de dizer “Era uma vez”.
Ao mesmo minuto, que se há de ser leve, como a vez em que se deram às mãos, e os olhinhos se tornando pequenos, e o mundo ainda que feroz, transmutou-se em música.
E não são, para essa história, necessárias palavras.
Apenas o que encerra em cada um, quando os pontos de visão entrecruzados, do começo ao fim, nos repetem “Era uma vez”,
e silêncio.
era uma vez,e umas noites e ainda suspirando e fim.
M.Milza
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